A catequese do Papa nesta quarta-feira foi dedicada às razões que motivaram o Concílio Vaticano II à reforma litúrgica: fiéis não podem ser passivos na liturgia
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante Audiência Geral nesta quarta-feira, 26 / Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane
As razões da reforma litúrgica no Concílio Vaticano II foram o centro da reflexão do Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 26, na Basílica de São Pedro. Esta foi a última catequese sobre a constituição conciliar Sacrosanctum Concilium.
Leão XIV explicou que a reforma litúrgica não surgiu de maneira repentina nem representou uma ruptura com o passado. Foi, na verdade, um caminho que amadureceu no interior da Igreja e foi preparado pelo Movimento Litúrgico e pelo Magistério ao longo do século XX.
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A carta do então Cardeal Montini
Explicando as razões da reforma, o Papa citou uma carta de 1962 do então arcebispo de Milão, Cardeal Giovanni Battista Montini, futuro São Paulo VI, que definia a liturgia como expressão do divino e do humano e como voz do diálogo com Deus. Na carta, Montini afirmava que os fiéis “não podem nem devem continuar a permanecer em silêncio e passivos” e que a presença material não pode coexistir com a ausência espiritual.
Leão XIV observou que essas palavras estão em sintonia com a Sacrosanctum Concilium, que pede aos cristãos que não entrem no mistério da fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem da ação sagrada de modo consciente, ativo e piedoso. “Uma vez que os gestos e as palavras da sagrada liturgia são decisivos para concretizar esta experiência, a participação dos fiéis não pode ser passiva.”
O patrimônio da tradição e o que pode ser mudado
O Papa também frisou que a reforma buscou tornar mais acessível a todos os fiéis a riqueza dos textos bíblicos e das orações, simplificando a estrutura das celebrações. “A reforma conciliar, ao colocar no centro aquilo que constitui o cerne da experiência eclesial, procurou fazer resplandecer a liturgia como ‘fonte primeira da vida divina que nos é comunicada’.”
A liturgia, recordou Leão XIV, é uma realidade viva e esteve sempre sujeita a evoluções e mudanças. Com respeito pelo patrimônio da tradição, o Concílio distinguiu os elementos divinos e imutáveis daqueles que podem ser modificados com o passar do tempo, para que os textos e os ritos expressem com maior clareza as realidades santas e favoreçam uma celebração plena, ativa e comunitária. Essa distinção, acrescentou, já havia sido apresentada por Pio XII na encíclica Mediator Dei, de 1947.
O desejo de uma “reforma geral” já se manifestava na ação dos Papas desde o início do século XX, em sintonia com as solicitações do Movimento Litúrgico, lembrou o Papa. A constituição apostólica Divini Cultus, de Pio XI, também já havia retomado a necessidade de os fiéis não assistirem às celebrações como estranhos ou espectadores mudos. Pio XII, por sua vez, reorganizou os ritos da Semana Santa, recolocando-os nos horários correspondentes aos acontecimentos pascais, depois de terem sido antecipados por séculos para o período da manhã. São João XXIII também promoveu uma simplificação das rubricas do Breviário e do Missal por meio do motu proprio Rubricarum instructum, de 25 de julho de 1960, remetendo ao futuro Concílio Ecumênico a definição dos princípios fundamentais de uma reforma litúrgica.
Interpretações equivocadas
Porém, alguns princípios da reforma foram absolutizados ou interpretados de maneira equivocada no período pós-conciliar, ressaltou Leão XIV. Ele frisou que a reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II se insere na tradição viva da Igreja e uma compreensão correta da reforma permite rejeitar esses abusos.
O Papa recordou ainda que as ações litúrgicas não são privadas, mas celebrações da Igreja, povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos. Elas pertencem a todo o Corpo da Igreja e o manifestam.
Zelo pela liturgia
Ao concluir a catequese, o Santo Padre ressaltou a responsabilidade dos bispos e de cada sacerdote de zelar pela liturgia e promovê-la no respeito às normas. Isso é importante para que as celebrações manifestem a Igreja una, santa, católica e apostólica.
Uma liturgia assim, concluiu o Papa, torna-se um veículo fundamental de evangelização e um instrumento de graça, por meio do qual os fiéis aprendem a oferecer a si mesmos e, pela mediação de Cristo, crescem na unidade com Deus e entre si.




