O Santo Padre estará em Metz em 28 de setembro, nesta que será sua primeira visita apostólica à França, quando passará um dia inteiro na cidade fronteiriça francesa
Da redação, com Vatican News

O Arcebispo de Metz, Philippe Ballot / Foto: Reprodução Youtube
Daqui a exatamente um mês, o Papa Leão XIV iniciará sua primeira Visita Apostólica à França. Programada para o período de 25 a 28 de setembro, a visita do Papa incluirá Paris e uma parada na sede da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
O Sucessor de Pedro também viajará ao santuário mariano de Lourdes no domingo, 27 de setembro, e encerrará sua viagem apostólica no dia seguinte com um dia inteiro em Metz, no leste da França, não muito longe da fronteira com a Alemanha.
Outrora fonte de conflito no século passado, esta fronteira tornou-se hoje uma ponte entre dois povos amigos e um sinal de esperança em um mundo dilacerado pela guerra, cada vez mais marcado por tendências nacionalistas, ambições de domínio e falta de visão de futuro.
É desta região fronteiriça que o Arcebispo de Metz, Philippe Ballot, falou ao Vatican News, compartilhando suas reflexões às vésperas da visita do Papa.
Vatican News — Arcebispo Philippe Ballot, o Papa Leão XIV concluirá sua viagem apostólica à França com uma visita à sua diocese na segunda-feira, 28 de setembro. Como o senhor se sentiu ao saber que Metz seria uma das três paradas de seu itinerário nacional, ao lado de Paris e Lourdes?
Dom Philippe Ballot — Senti uma grande alegria, e também um certo orgulho em nome do povo de Mosela e de Metz, por causa de sua história. Esta é uma terra que vivenciou três guerras — incluindo duas guerras mundiais — e duas anexações, e que hoje se revela como uma terra de encontro e fraternidade. Antigos inimigos tornaram-se amigos. Eles cooperam em vez de se confrontar. A fronteira já não é um lugar de separação, mas um lugar de encontro. Os laços com a Alemanha são muito fortes. Portanto, há aqui uma mensagem muito poderosa. Acolher um Papa que, desde o início de seu pontificado, tem insistido em uma paz “desarmada e pacificadora” já nos dá a sensação de que ele nos incentiva a continuar o que tentamos fazer há anos, desde o fim da Segunda Guerra Mundial: ser pessoas que vivem em paz e que promovem a paz.

A catedral de Saint-Étienne de Metz / Foto: Patrick from Compiègne por Wikipedia
Vatican News — Esta é uma mensagem genuína para a Europa, especialmente em um momento em que o continente europeu enfrenta tensões geopolíticas e um recuo para a política identitária. Que mensagem de unidade você espera que o Papa transmita enquanto estiver nesta terra — como você a descreve — de fronteiras e reconciliação?
Arcebispo Philippe Ballot — Precisamos adotar uma atitude de escuta. Percebemos o quanto a paz é essencial quando, da sacada, no dia de sua eleição, ele a apresentou com estas palavras: “A paz esteja convosco”. É “a paz de Cristo ressuscitado”. Ele nos diz que essa paz nos vem de um homem, o Filho de Deus, que venceu a morte. É uma paz divina, uma paz que devemos ser capazes de vivenciar. Ele nos deu algumas indicações por meio de tudo o que o ouvimos dizer, explicando que ela começa no coração das pessoas que decidem trabalhar com os outros, conversar com os outros, compreender os outros, aceitar os outros e confiar nos outros. O tema desta viagem é “Para que o mundo tenha vida”. Isso sugere que a vida também será um dos temas centrais da visita — uma questão de particular ressonância na França após a aprovação e promulgação de uma legislação sobre a morte assistida. A partir do que o Papa já disse sobre a vida, percebemos que ele é capaz de nos ajudar a compreender que, quando se trata da vida, tudo está interligado. Devemos servir à vida e respeitar a sua dignidade, que é intrínseca à pessoa humana. Onde quer que a vida humana esteja presente, a dignidade também está. Tirar a vida é tirar a dignidade — seja no início da vida, no seu fim ou no decorrer dela; por exemplo, quando permitimos que embarcações atravessem um Mediterrâneo que se transforma em cemitério.
Vatican News — Num plano mais prático, organizar uma visita papal é um empreendimento logístico de grande porte — ou melhor, gigantesco — para uma diocese. O que você pode nos contar sobre como a comunidade está se mobilizando para organizar a visita aqui em Moselle?
Dom Philippe Ballot — Toda a comunidade está se envolvendo. Precisávamos de cerca de 1.000 voluntários. Já superamos esse número, e as pessoas querem participar independentemente de suas crenças religiosas. Fiéis de outras religiões estão muito satisfeitos com a vinda do Papa e sentem-se honrados com sua visita. Percebe-se que a população ficou realmente comovida com essa visita. Ao mesmo tempo, há questões de segurança e organização que precisam ser tratadas. Metz é uma cidade pequena, com 140 mil habitantes — ou 250 mil, se incluirmos a região metropolitana. Não dispomos de grandes espaços, por isso precisamos de uma organização que permita às pessoas participar plenamente e se reunir ao longo do trajeto. Estamos convidando as pessoas a virem saudar o Papa. Sua presença será algo único e inspirador. E, finalmente, ele também deixará a França partindo daqui, o que nos deixou realmente muito entusiasmados.
Vatican News — O que essa resposta da comunidade nos diz sobre a evolução da Igreja na França? Nos últimos anos, vimos a chama da fé recuperar força na França, particularmente por meio do número crescente de catecúmenos…
Arcebispo Philippe Ballot — Algo está acontecendo. Quando cheguei à minha diocese, há quatro anos, havia 60 catecúmenos. Eram 80 no ano seguinte e 200 no ano passado. Percebemos que, ao estarmos próximos das pessoas, tocamos nas questões profundas que as ocupam hoje, como as mudanças climáticas e a inteligência artificial. Muitos jovens — com até 25 ou 30 anos — me procuram dizendo que não conseguem responder a essas perguntas sozinhos. É uma geração que está despertando para a dimensão religiosa de sua vida. Eles têm sede de acompanhamento. Precisamos respeitar isso. Devemos caminhar ao lado deles, como costuma dizer o Papa Francisco. São jovens muito atentos ao que lhes dizemos e ao respeito que demonstramos pela trajetória de cada um.




