Padroeira do Brasil

Confecção do manto de Nossa Senhora envolve missão de fé e devoção

Confira como trabalho passa pelas mãos de muitos artesãos

O trabalho com artigos religiosos reúne famílias, gera renda e movimenta a economia no interior de São Paulo. Para além do ofício, a atividade é encarada como missão de fé e devoção a Nossa Senhora.

Reportagem de Idalina Miranda e Messias Junqueira

Pedrarias, bordado, colorido e fé, elementos perfeitos para uma peça de realeza. Em meio aos principais símbolos do manto, o amor materno sobressai. “O Manto Sagrado para mim é uma bênção que Ela nos transmite o carinho, o amor, a compaixão, a dignidade”, disse o aposentado, Pérsio Rosan.

Antes de chegar aos ombros da imagem de Nossa Senhora Aparecida, a veste passa por muitas mãos. Há 32 anos, Silvana tem a inspiração como acessório chave para o manto. “Pedi pra Nossa Senhora que me desse um dom. Logo quando eu comecei a bordar o manto de Nossa Senhora, eu não encontrei dificuldade. Pessoal falava assim: ‘Nossa, a senhora tem a mão abençoada porque tudo o que a senhora faz vende’”, recordou a empresária.

Com a força do tempo e persistência, a artesã trabalha hoje ao lado da família. Tamires auxilia na administração da empresa. “A gente está sempre levando esse legado e multiplicando, esse dom que Nossa Senhora deu para minha mãe. Então a gente sente que o nosso trabalho tem um propósito maior. Não é só fazer manto, é trabalhar com a fé das pessoas”, afirmou a gerente administrativa.

A missão vai além da fábrica. Há 4 anos, a empresária deu início ao “Mãos que levam a fé”, projeto com aulas nos bairros e ensina a arte de bordar a outras mulheres.

E não só isso, tem o poder de cura e devolver sorrisos. “Eu enfrento, enfrentava, 10 anos de depressão. E eu sempre falo para todo mundo que a Nossa Senhora teve um carinho muito grande por mim, porque usou do manto Dela para me libertar dos remédios”, testemunhou a bordadeira, Diana Barbosa.

Do processo de separação, passando pelo bordado costura e embalagem, desde o início da empresa, todo manto confeccionado é inspirado na beleza e doçura de Nossa Senhora Aparecida.

Silvana teve o privilégio de ter bordado por duas vezes o Manto Oficial da Padroeira do Brasil. “Um ficou 8 anos e outro ficou 3 anos. Hoje eles estão no museu lá na Igreja, no Santuário Nacional”, contou Silvana.

O manto é construído entre fios, pontos e orações. E enquanto veste a padroeira do Brasil também ajuda a costurar novas histórias. “A gente tem nas nossas mãos um privilégio, a roupinha da Nossa Senhora, assim. Então não tem sentimento mais satisfatório”, retomou Diana.

“Muito grata, a Nossa Senhora Aparecida, por tudo, tudo, tudo que Ela me proporciona e me proporcionou”, expressou a artesã.

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