Catequese

Papa frisa papel da música na liturgia: cantar e tocar significa rezar

Catequese do Papa nesta quarta-feira foi dedicada à música sacra, que ajuda a abrir o coração à ação de Deus

Jéssica Marçal
Da Redação 

A imagem mostra o Papa Leão XIV com suas habituais vestes brancas, de mãos elevadas, braços abertos, diante de um microfone prateado

O Papa Leão XIV na Basílica de São Pedro durante a Audiência Geral de 19 de agosto de 2026 / Foto: REUTERS/Remo Casilli

“A música faz parte da ação litúrgica e não é mero adorno da celebração.” Palavras do Papa Leão XIV na catequese desta quarta-feira, 19, em uma reflexão dedicada à música sacra, no contexto do sexto capítulo da Constituição Sacrosanctum concilium. O Pontífice segue no ciclo de reflexões sobre o Concílio Vaticano II. Novamente, o encontro semanal com os fiéis foi realizado na Basílica de São Pedro. 

O Papa recordou que o documento trata a tradição musical da Igreja como um tesouro de inestimável valor, sobretudo porque o canto sagrado constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene. Nesse sentido, o Pontífice destacou que, na liturgia, cantar e tocar significa rezar, sintonizando o próprio coração com o dos irmãos e com Deus.

“Em particular, a música expressa a dimensão afetiva da oração, como afirma Santo Agostinho: ‘Cantare amantis est’, ou seja, ‘cantar é próprio de quem ama’ (Sermo 336, 1). Isto é muito importante, pois ajuda a abrir o coração à ação de Deus na graça e a deixar-se modelar por ela.”

Leão XIV também destacou a contribuição do canto para a união das almas, superando diferenças entre as pessoas e congregando-as no louvor a Deus. Trata-se de uma manifestação sensível da comunhão.

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.: Leia a íntegra da reflexão do Papa

As exigências da música sacra

O profundo significado teológico da música sacra traz algumas exigências, ressaltou o Papa, como a necessidade de corresponder àquilo que é mais apropriado para o momento celebrativo. O canto sacro deve ser nobre e simples, acrescentou, de alta qualidade musical e facilmente executável.

“Pelo mesmo motivo, o Concílio recomenda que também os textos sejam adequados, profundos e, ao mesmo tempo, de fácil compreensão, inspirados principalmente na Sagrada Escritura, nos livros litúrgicos e na Tradição espiritual da Igreja.”

A Sacrosanctum concilium também dedica amplo espaço ao tema da participação ativa dos fiéis. Especificamente sobre o papel da música sacra, frisa-se a promoção das aclamações dos fiéis, respostas, salmodia, antífonas, cânticos, mas também um “silêncio sagrado”. E com um equilíbrio harmonioso entre os diferentes ministérios, de modo que cada um, ministro ou fiel, faça tudo e só o que é de sua competência.

Canto gregoriano e inculturação

Leão XIV explicou ainda que, sem excluir da celebração outros tipos de música sacra, o Concílio atribuiu grande valor ao canto gregoriano. Atenção especial ao órgão, mas admitindo outros instrumentos que sejam adaptáveis ao uso sacro e respeitem a dignidade do templo.

Também no campo da música sacra é abordada a questão da inculturação, acrescentou o Papa. “Salienta-se em particular, no que se refere às tradições musicais das diferentes culturas, a importância de as ter seriamente em consideração, como parte da vida religiosa e social das pessoas.”.

Outro aspecto importante é com relação ao compositor de música sacra, chamados a preservar o patrimônio musical da Igreja e criar novas composições a serviço da liturgia. O Concílio também recomendou, lembrou o Papa, a promoção da formação e prática da música sacra nos seminários, noviciados, casas de estudo de religiosos e outros institutos e escolas católicas.

“Caros irmãos e irmãs, os Padres da Igreja atribuíram grande importância ao canto litúrgico, símbolo da comunhão eclesial. Por isso, podemos concluir com estas bonitas expressões de Santo Inácio de Antioquia: ‘Vós, um por um, tornai-vos um coro a fim de que, harmoniosos no acorde e assumindo a tonalidade de Deus na unidade, canteis em uníssono por meio de Jesus Cristo ao Pai, para que vos ouça e, pelas boas obras que realizais, reconheça que sois membros do seu Filho’”.

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