Leão XIV pediu ainda, em mensagem assinada pelo cardeal Parolin, respeito pelos pequeninos não pode ser reduzido a ‘um conjunto de regras a serem aplicadas’
Da redação, com Vatican News

Papa Leão XIV /Foto: Vatican Media/IPA via Reuters
Quando confrontado com a dor, fazer-se perguntas em vez de se defender. Reconhecer o mal em vez de minimizá-lo. Não se fechar por medo do escândalo, mas aceitar os “caminhos exigentes da verdade, da justiça e da cura”. Esses são os postulados sobre os quais o Papa Leão XIV nos convida a refletir em uma mensagem assinada no Vaticano em 10 de abril, mas publicada esta quinta-feira, 16, pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, por ocasião do II Encontro Nacional de Representantes Locais para a Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, que se realiza em Roma desta quinta-feira até sábado, 18 de abril.
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Reconhecer a dignidade e preservar a liberdade
O Pontífice dirige-se ao cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), focando no tema deste II Encontro, “Gerar relações autênticas”, que orienta a tarefa “essencial” das comunidades cristãs — paróquias, associações, movimentos — no reconhecimento da dignidade de cada pessoa e na salvaguarda de sua liberdade.
“Sabedoria” na proteção
Na visão cristã, escreve o Papa, o respeito não se limita à correção, mas eleva-se a uma “forma exigente de caridade” que protege o próximo “sem se apropriar dele”, o acompanha “sem dominá-lo” e o serve “sem humilhá-lo”.
A proteção não pode ser entendida meramente como um conjunto de regras a serem aplicadas ou procedimentos a serem observados: requer uma sabedoria que afeta o estilo das comunidades, a maneira como a autoridade é exercida, a formação dos educadores, a vigilância dos contextos e a transparência dos comportamentos.
“Não deixar ninguém sozinho”
A presença de menores e pessoas vulneráveis na Igreja, afirma Leão XIV, desafia a consciência da Igreja, pondo à prova sua capacidade de expressar “cuidado autêntico”, que se manifesta por meio da proteção, da escuta, da prevenção e do “não deixar ninguém sozinho”.
Por essa razão, também, o trabalho daqueles que promovem a formação, o discernimento, a coordenação e as boas práticas representa uma valiosa contribuição para o desenvolvimento de comunidades mais acolhedoras e conscientes.
Reconhecer o mal
O Papa enfatiza então a atenção “especial” a ser dada àqueles que sofreram abusos, cujas feridas exigem proximidade sincera, escuta humilde e perseverança na busca por “o que é justo e possível de reparar”.
Uma comunidade cristã experimenta a conversão evangélica quando não se defende da dor daqueles que sofreram, mas se permite ser questionada; quando não minimiza o mal, mas o reconhece; quando não se fecha por medo do escândalo, mas aceita os exigentes caminhos da verdade, da justiça e da cura.
“E eu cuidarei de ti”
O encontro que se realiza em Roma, portanto, vai além do “nível operacional”, conclui o Papa, convocando a Igreja a crescer na “cultura da prevenção”, que é antes de tudo uma “cultura do cuidado evangélico”. O espetáculo “E eu cuidarei de ti”, que será apresentado em pré-estreia durante este II Encontro, contribuirá para isso: um percurso artístico e musical que leva ao palco o flagelo do abuso em ambientes eclesiais, dando voz à dor das vítimas.




