Garantir comida na mesa ainda é um desafio para milhões de pessoas. Neste mês, o Papa Leão XIV chama atenção para essa realidade e faz um convite à solidariedade. Em Taubaté, no interior de São Paulo, um programa social mostra como essa intenção pode ser vivida na prática e virar alimento, cuidado e dignidade para todos.
Reportagem de Isaque Valle e Messias Junqueira
‘Por uma alimentação para todos’. Essa é a intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de maio. Ajudar quem mais precisa é, na verdade, auxiliar o próprio Jesus na pessoa do irmão. “Ele mesmo disse no Evangelho. Toda vez que fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que o fizestes. E de fato, nós precisamos aprender a ter esse olhar. Enxergar no próximo, o nosso irmão, mas também enxergar também a pessoa de Cristo que sofre, que sofre nesses que hoje passam nessa cidade, sentem fome”, destacou o missionário da Comunidade Canção Nova, padre Bruno Antônio de Oliveira.
Aqui no restaurante Bom Prato, a intenção do Papa ganha forma na prática. Todos os dias, milhares de pessoas podem se alimentar pagando pouco, garantindo dignidade e segurança alimentar para quem mais precisa.
O programa foi criado em 2000 pelo Governo do Estado de São Paulo. “Então serve em média de 2.500 refeições por dia. Café da manhã a 50 centavos, almoço a R$ 1 e o jantar que tem a opção da pessoa comer dentro do salão ou levar para casa. Apenas também R$ 1, então com R$ 2,50 a pessoa se alimenta o dia todo”, explicou o gerente do Bom Prato da unidade de Taubaté, Fernando Oliveira.
Um planejamento idealizado para garantir qualidade na nutrição de todos que passam por aqui. “Pode assim ter alimentos repetidos nas refeições seguidas. A gente tem o cuidado de não servir embutidos, de não servir doces, ter o equilíbrio, tem também, mas tem um equilíbrio para que a gente preze sempre a nutrição”, contou a nutricionista, Paola Silva Lopes.
Mais do que o combate à fome, a iniciativa também auxilia no controle de diversas enfermidades. “Desde doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, pressão altas e afins, como outras que podem ser desencadeadas por conta da falta de nutrição”, reforçou ela.
Para quem necessita do projeto, o serviço oferecido traz impactos positivos no dia a dia. “Todo dia eu venho comer aqui, sou sozinho. Então para mim, Bom Prato é uma benção”, disse o pensionista, Félix Paz.
Seu baixinho é um cliente fiel e fala dos pratos que mais gosta no restaurante. “Eu gosto quando é feijoada, eu gosto quando é pernil”, disse.
A assistência também gera emoção. Nilce acredita que por trás de todo o irmão assistido há a presença do Deus que não abandona seus filhos. “Eu acho que é uma graça, uma benção, um milagre. Olha quanta fome estão matando. É coisa de Deus isso. É coisa de Deus. Eu não posso falar que eu choro”, completou a aposentada Nilce Cursino.




