Medida prevê mais investimentos e metas para transporte público
Novo marco legal do transporte público muda regras de financiamento do sistema e cria critérios mínimos de qualidade para os usuários. Regras devem ser adotadas por estados, municípios e união no prazo de um ano.
Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro
Ônibus lotados, filas e atrasos frequentes. Essa é a realidade de milhões de brasileiros que dependem do transporte público, especialmente nos grandes centros urbanos. “Caro também, muito caro e demora demais”, disse um popular. “A demora e a falta de paciência dos motoristas podiam melhorar, e o aplicativo podia ser mais fácil de mexer também”, falou outra. “Não tem nem lugar para a gente sentar. A gente trabalha o dia todo em pé. Aí vai tudo superlotado, tinha que colocar mais ônibus”, comentou uma trabalhadora.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que 45% dos entrevistados consideram o transporte público ruim ou péssimo. Entre as principais demandas dos usuários estão: tarifas mais baixas, menor tempo de espera, mais segurança, mais linhas e percursos, mais conforto e veículos melhores.
Com a sanção do marco legal do transporte, o governo espera melhorar a qualidade do serviço oferecido ao usuário. Uma das principais mudanças está na fonte de financiamento do sistema. Atualmente, grande parte do custo é bancada pelo passageiro. A proposta prevê a criação de fundos específicos e a diversificação das fontes de custeio.
“Tem que trazer mais garantias para a população de que o transporte público realmente vai ser vascularizado, vai atingir as áreas mais distantes e mais carentes”, destacou o arquiteto e urbanista Frederico Flósculo.
As novas regras estabelecem metas de qualidade para o transporte coletivo, com foco em pontualidade, segurança, acessibilidade, conforto e integração entre modais.
“O que eu tenho que fazer é demonstrar para o cidadão que aquele transporte que ele tem a opção de buscar oferece previsibilidade de tempo, exclusividade, segurança e uma condição melhor”, completou o especialista em mobilidade Alex Carreiro.
O marco legal entra em vigor um ano após a sanção presidencial.




