Enquanto alguns têm alimentos de sobra para celebrar, outros vivem a escassez e desnutrição devido à guerra e desigualdade
Uma pequena cidade da Espanha ficou conhecida por sediar a “La Tomatina”, a maior guerra de comida do mundo. O evento desta quarta-feira é mais um ponto fora da curva da fome. Isso porque trezentos milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda em diferentes países.
Reportagem de Wallace Andrade
Imagens da Reuters
Buñol, província espanhola de Valência. Em dias normais, 9.400 habitantes. Em dia de La Tomatina, 22.000 pessoas só para participar da tradicional guerra de tomates. “É uma experiência fenomenal. É meu aniversário de 30 anos. Estou curtindo muito”, disse o entrevistado.
Tudo começou em 1945, quando duas pessoas jogaram tomate uma na outra. Agora, toda última quarta-feira de agosto, moradores e turistas estragam 150.000 kg de tomates desse jeito. “Incrível, incrível. Viemos do Reino Unido só para este dia. Está sendo incrível”, falou o cidadão.
O que diriam os palestinos em Gaza que no dia 3 de abril deste ano apareceram suplicando por comida? Crianças na multidão lutando por pão e sopa. O que diriam os somálios em Baidoa, com suas crianças em estado crítico por causa da desnutrição provocada por falta de comida.
“Entrevistamos 88 famílias e constatamos que pelo menos uma em cada duas crianças está desnutrida. E dessas, pelo menos uma em cada quatro crianças apresenta desnutrição aguda grave.”, informou o médico do Projeto Baidoa, Isah Mohammed.
Enquanto a maior guerra de comida do mundo diverte espanhóis e turistas, quase 300 milhões de pessoas vivem nesta quarta-feira mais um dia de fome. Os números foram apresentados pelo diretor executivo interino do programa mundial de alimentos. “O programa Mundial de Alimentos recebeu apenas 40% do financiamento necessário no ano passado para proteger civis e trabalhadores em situação de insegurança alimentar aguda”, completou o diretor executivo interino do PMA, Carl Skau.
As imagens da la tomatina seriam cômicas se não fossem trágicas. Afinal, a criação anda bem distante da realidade e muito próxima da desigualdade.




