Impactos nos recursos agrícolas e hídricos para próximos meses se estende até ano que vem
Nesta terça-feira, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais receberam a imprensa para uma troca de conhecimento sobre o El Niño, fenômeno climático que deve se estender até o primeiro semestre do ano que vem.
Reportagem de Fernanda Lima e Messias Junqueira
Saber como vai ficar o tempo faz parte da rotina de muita gente, mas a chegada de um El Niño muito forte torna o desafio de entender e explicar o fenômeno ainda maior.
O El Niño vem ganhando força, isso chama a atenção dos especialistas. É por isso que aqui nesta sala pesquisadores do INPE e do CEMADEN se reuniram hoje com jornalistas para explicar o que está acontecendo na atmosfera e trazer o que as previsões apontam para os próximos meses.
Os especialistas falaram das incertezas que existem em relação à intensidade dos impactos do fenômeno. E o olhar não está apenas na chuva. O período de estiagem também exige atenção. Os desafios são para diferentes regiões do país. “Já começa agora neste trimestre, setembro, outubro, novembro, que é o mais crítico, mas o impacto principalmente então vai estar mais pro final do ano, já na parte da agricultura familiar, aquelas de curto prazo e impacto nos recursos hídricos a partir também do final desse ano e próximo ano, que é acumulado. Então isso se acumula, déficit de chuvas, altas temperaturas vai se acumulando e vão vendo nos níveis dos rio. Então é mais pro próximo ano, principalmente na região norte. No nordeste o impacto pode ser mais antecipado”, explicou a pesquisadora do Cemaden, Adriana Cuartas.
Falar de mudanças climáticas nem sempre é fácil. É por isso que a ciência tem buscado novos caminhos. “Precisaria de uma ferramenta que auxiliasse o governo a fazer a preparação para as mudanças climáticas. Então não seria uma plataforma para olhar os impactos, mas uma plataforma que fosse fazer a projeção dos possíveis impactos”, concluiu o diretor do Ministério de Ciência e Tecnologia, Osvaldo Luiz Leal de Moraes.
As projeções climáticas apontam tendências, mas existem limites para saber exatamente como um El Niño de grande intensidade pode se manifestar em cada região. E diante das incertezas, o jornalismo é ainda mais necessário.




