Iniciativa atende a pedido do Vaticano para pastorear evangelizadores na internet e combater a desinformação com fontes seguras
Thiago Coutinho
Da redação

A Pastoral dos Missionários Digitais quer evangelizar pela internet / Foto: John por Unsplash
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2025 a internet alcançou nada menos do que 95% dos lares brasileiros. São 76 milhões de residências conectadas à rede mundial de computadores. Rede utilizada também pela Igreja para a evangelização. E, recentemente, visando aprimorar essa ação pastoral, a arquidiocese do Rio de Janeiro concebeu a Pastoral dos Missionários Digitais.
Gerida pelo diácono Alexandre Varela, a pastoral é estruturada sobre três pilares: acompanhamento espiritual e formativo dos missionários digitais; segundo, o apoio ao trabalho deles por meio de fontes confiáveis de informação e suporte institucional; e terceiro, a integração desses evangelizadores à vida da Igreja.
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“A ideia surgiu por meio de um pedido do Monsenhor Lucio Ruiz, então Secretário do Dicastério para as Comunicações do Vaticano”, explica Varela. “Já havia algum trabalho sendo feito pela Santa Sé e algumas iniciativas no nível das conferências episcopais, mas ele entendia que faltava uma experiência de pastoreio concreto, em nível diocesano. Levamos a ideia a Dom Orani, nosso arcebispo, e ele a acolheu de imediato, com muito entusiasmo”.
Modus operandi
A Pastoral seguirá o acompanhamento espiritual e formativo dos evangelizadores digitais, garantindo alinhamento com a doutrina sem engessar a maneira como as redes funcionam. “Estou nesta há 15 anos”, assegura Varela. “E sempre foi apenas uma questão de adaptação da linguagem, nunca foi sobre a mensagem, que continua sendo a mesma que a Igreja carrega há dois mil anos. Portanto, a primeira coisa é entender que devemos, como pastoral, fazer o trabalho que a Igreja sempre fez: acompanhar espiritualmente e pastorear”, explica o diácono.
É importante, prossegue Varela, que a pessoa por trás das telas seja cuidada. “Depois, como complemento desse esforço, criar momentos formativos que possam trazer a consciência necessária a esses influenciadores. É literalmente fazer o trabalho de sempre. Se estas pessoas viverem uma vida de santidade, saberão usar sua criatividade para transmitir a fé da melhor forma, dentro daquilo que for necessário para evangelizar nas redes”, pondera.
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Recorrer a fontes confiáveis
Uma das premissas desta Pastoral é se apoiar em fontes seguras. É essencial, assim, que a pastoral atue na curadoria de conteúdos para evitar polarizações, fake news e respaldar os criadores em momentos de controvérsia pública na internet.
“Vamos treinar essas pessoas nas boas práticas de checagem de informação e conscientizá-las da importância de equilibrar velocidade com responsabilidade editorial”, esclarece Varela. “Isso é um grande diferencial e não é uma novidade. Os bons jornalistas sempre fizeram isso”, reitera o diácono.
Este viés, muito comum à prática jornalística, será construído pouco a pouco. “Sobre as fontes, em um primeiro momento vou usar as entradas que já tenho dentro das salas de imprensa, clero e outros contatos para ajudar neste processo e aos poucos vamos construindo essa rede de fontes confiáveis. Ainda é algo muito novo e vamos começar praticamente do zero”.
A dinâmica pastoral tradicional e o ambiente virtual
Diante das diferenças entre a dinâmica paroquial tradicional e o ambiente virtual, Varela reconhece a necessidade da Igreja – uma instituição milenar – sempre discernir e agir diante das necessidades que surgem no mundo. Ela observa que a própria Santa Sé reconheceu os “Missionários Digitais” mais de uma década e meia após o surgimento dos primeiros influenciadores católicos.
“É preciso ter paciência e ir abrindo os espaços com muita conversa e respeito. Isso na prática vai se traduzir em palestras de conscientização com o clero, visitas às paróquias com ao menos parte do grupo de missionários, participação nos eventos arquidiocesanos como grupo pastoral unido, verificando as necessidades e dificuldades que encontramos para depois fornecer um retorno honesto aos organizadores e responsáveis, para que possamos, juntos, construir nosso lugar dentro da missão da Igreja”, salienta.
Posicionar-se como católico
Não existe outro critério a não ser se posicionar como católico para ser evangelizador digital. De acordo com Varela, no Jubileu celebrado pela Igreja em 2025, houve a seguinte definição: os Missionários Digitais e os Influenciadores Católicos. “É só uma questão de classificação e não de restrição. Por aqui, vamos seguir o mesmo critério e observar como isso se desenvolve na Santa Sé e em outros lugares do mundo”, observa o diácono.
O responsável pela Pastoral Digital reconhece que todo este conceito está sendo construído do zero e vem tomando forma aos poucos. “Então, não existem critérios ainda muito objetivos ou bem desenvolvidos. E isso torna tudo ainda mais empolgante porque estamos, de fato, tendo o privilégio de contribuir para que se escreva uma nova página na história da Santa Igreja”, finaliza.




