Leão XIV fez reflexões espontâneas a funcionários e agentes do Programa Alimentar Mundial durante visita à sede da agência da ONU nesta segunda-feira, 22
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante visita à sede do Programa Alimentar Mundial/ Fotos: Reprodução Reuters
Após o discurso ao Conselho Executivo do Programa Alimentar Mundial (PAM), o Papa Leão XIV encontrou-se, nesta segunda-feira, 22, com representantes das chamadas “zonas de fronteira” onde a agência atua e, no Jardim da Paz, em frente à sede da organização da ONU, com a “família” de funcionários do organismo.
O Pontífice iniciou o encontro conectando-se, por videochamada, com cinco profissionais empenhados na difícil missão de combater a fome, muitas vezes arriscando “literalmente a própria vida”.
“Desejo garantir-lhes o apoio da oração de toda a comunidade mundial e, de modo especial, da Igreja Católica, que frequentemente colabora com os programas que vocês coordenam e nos quais atuam. O trabalho de fazer chegar a ajuda àqueles que mais precisam representa, naturalmente, um grande desafio”, destacou.
Círculo vicioso da fome e da guerra
O Papa ouviu ainda os relatos de Carlos, da Venezuela, que compartilhou os desafios enfrentados em um país marcado por recentes turbulências políticas; de Nancy, do Sudão do Sul, que explicou como seu trabalho a leva a alcançar comunidades remotas e de difícil acesso; e de Cyril, do Líbano.
Na sequência, Leão XIV refletiu sobre o ciclo vicioso que liga fome e conflitos, realidades que se alimentam mutuamente e, por sua vez, agravam a crise migratória, forçando milhões de pessoas a abandonar seus lares. O Pontífice destacou que a missão do Programa Alimentar Mundial vai além da assistência imediata e indispensável, abrangendo também a identificação das causas profundas da insegurança alimentar.
“O mundo de hoje poderia viver sem fome. Os recursos existem e a capacidade de produzir alimentos também. No entanto, com demasiada frequência, esses recursos são destinados a guerras, conflitos e outras finalidades que, se quisermos, são menos importantes. Assim, a fome persiste e, em algumas regiões do mundo, chega até a aumentar”, alertou.
Acolhida no Jardim da Paz
O Santo Padre agradeceu ao Programa Alimentar Mundial pelo trabalho realizado “na linha de frente” e, ao se dirigir ao Jardim da Paz, ressaltou os valores que norteiam a atuação da agência. Antes de retornar ao Vaticano, participou de um encontro ao ar livre com os funcionários, durante o qual refletiu sobre duas palavras presentes no estatuto do PAM: comunidade e esperança.
Ao abordar a importância da comunidade, Leão XIV destacou a atualidade do tema em um mundo “polarizado” e “dividido”, no qual as relações humanas continuam sendo fragilizadas por diversos fatores, entre eles o uso inadequado da tecnologia. Segundo observou, em vez de contribuir para a construção de “um mundo melhor”, ela é frequentemente empregada como instrumento de guerra, destruição e morte. Nesse contexto, o Papa enfatizou que, além do trabalho desenvolvido pela agência, é fundamental preservar o espírito de colaboração que caracteriza sua missão.
“Que o trabalho e o serviço de vocês ajudem de verdade as pessoas a se reencontrarem, a se unirem e a colaborarem para resolver os problemas que causam a fome e para construir um mundo mais justo”, afirmou.
Ao refletir sobre a esperança, o Pontífice sublinhou que ela é uma missão que envolve a todos e que deve ser transmitida especialmente aos jovens. Segundo ele, muitos deles — “não necessariamente nas regiões mais pobres do mundo” — perderam a capacidade de enxergar um propósito e uma perspectiva para o futuro.
“Eles perderam a capacidade de olhar para o futuro e dizer: ‘Vale a pena. Vale a pena dedicar minha vida a isso. Vale a pena unir-se aos outros e buscar juntos um caminho para seguir em frente’”, lamentou.
Por fim, Leão XIV afirmou que estender a mão aos necessitados é, concretamente, um “autêntico sinal de esperança”. Oferecer alimento a quem sofre, acrescentou, significa também alimentar a esperança de um futuro melhor: “um mundo de paz, no qual todos estejamos verdadeiramente unidos”.




