Segundo relatório da Unicef, aumento do custo de vida provocado por conflitos — sobretudo escalada da guerra no Oriente Médio — compromete situação de famílias em todo o mundo
Da Redação, com Vatican News

Foto: kristi611 via Pixabay
De acordo com um novo relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), até o final de 2026, mais 23,4 milhões de crianças poderão cair na pobreza devido ao aumento do custo de vida provocado pelos conflitos e pelas repercussões nos mercados internacionais.
A análise, que examina dados provenientes de mais de 167 países, destaca como o aumento dos preços dos alimentos e da energia, juntamente com as dificuldades do comércio marítimo — agravadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz —, está reduzindo o poder de compra das famílias, com consequências particularmente graves para aqueles que já vivem em condições de fragilidade econômica.
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O estudo traça dois cenários possíveis. No primeiro, caracterizado por um choque econômico moderado, outros 18,3 milhões de crianças cairiam na pobreza monetária. No segundo, que prevê uma crise mais profunda e duradoura, o número subiria para 23,4 milhões. Em ambos os casos, o relatório alerta que se trataria de um retrocesso abrupto em relação aos avanços alcançados nos últimos anos na luta contra a pobreza infantil.
“As crianças estão pagando o preço da escalada do conflito no Oriente Médio, inclusive aquelas que vivem bem além das fronteiras da região”, afirma a diretora-geral da Unicef, Catherine Russell. “Quanto mais tempo essa situação se prolongar, mais graves serão as consequências”, acrescenta.
Ásia e África são continentes mais afetados
A maior parte do aumento previsto da pobreza infantil diz respeito à Ásia e à África, que, juntas, representam cerca de 80% do total. Tratam-se de dois continentes onde os níveis de pobreza já são elevados e as economias estão mais expostas a choques externos.
As consequências já são visíveis em vários países. Na Somália, o preço do combustível em Mogadíscio mais que dobrou nos dias seguintes à intensificação do conflito, elevando o custo dos alimentos, da água e do transporte e dificultando a distribuição de ajuda humanitária em um contexto marcado por uma grave crise alimentar. Na Etiópia, o preço do diesel subiu 31%, enquanto o custo do combustível utilizado para as intervenções humanitárias aumentou entre 50% e 70%.
Na Nigéria, onde as famílias mais pobres destinam até 70% de sua renda à alimentação e ao transporte, mesmo aumentos moderados de preços afetam fortemente o consumo. Em Bangladesh, o aumento dos preços dos alimentos de primeira necessidade pode empurrar mais 1,2 milhão de pessoas para a pobreza.
Intervir para evitar crise econômica
Diante desse cenário, o relatório convida governos, países doadores e instituições financeiras internacionais a agirem rapidamente para evitar que a crise econômica se transforme em uma emergência social de longo prazo.
Entre as prioridades indicadas estão o financiamento de serviços essenciais para a infância – da saúde à nutrição, da educação à proteção social –, o reforço dos apoios econômicos às famílias mais vulneráveis, a manutenção do acesso a bens e serviços essenciais e a ampliação da margem fiscal dos países mais expostos, inclusive por meio da suspensão ou reestruturação da dívida, quando necessário.




