JUSTIÇA

Capela de 400 anos vira alvo de decisão judicial e gera indignação

Igreja é um patrimônio histórico e cultural para os fiéis que a frequentam e para a diocese

Fé, história e tradição estão no centro de um debate em Sergipe. Um Igreja com mais de 400 anos, localizada na Praia do Saco, litoral Sul do Estado, pode ser retirada do local onde sempre esteve.

Reportagem de Silas Santos

 

De frente para o mar, a capela de Nossa Senhora da Boa Viagem foi construída ainda pelos jesuítas em 1575. A decisão da Justiça Federal cita o avanço do mar e a preservação ambiental como um dos principais fatores para que o templo seja realocado. A medida causou indignação dos fiéis. A Diocese de Estância também se manifestou a respeito. “Tem um valor histórico, tem um valor cultural e sobretudo um valor religioso. Aqui se encontram as pessoas nativas, os veranistas, aqueles que estão aos finais de semanas, os turistas e fazem a sua fé. Se encontram com Jesus Eucarístico aqui. Por isso que em meio a esta situação, nós estamos aqui para dizer que nós queremos exatamente responder àquilo que a justiça nos pediu, mas sobretudo pedir a permanência deste lugar, deste lugar sagrado e santo, importante em todas as esferas”, explicou o bispo da Diocese de Estância(SE), Dom Genivaldo Garcia.

A capela recebeu uma recente reforma. No último final de semana, uma Missa foi celebrada e fiéis realizaram um abraço simbólico para demonstrar a insatisfação por parte da comunidade. “Alguns pontos não foram considerados de forma adequada, como a questão do patrimônio cultural, a questão do vínculo afetivo e religioso que as pessoas daquela região têm com aquela capela”, constou o diretor da Associação de Juristas Católicos da Província Eclesial de Sergipe, Osvaldo Júnior Barbosa.

A Diocese de Estância também deve recorrer na tentativa de manter viva uma tradição que não pode ser transferida com a mesma facilidade que as paredes de uma construção. A decisão final ainda deve passar por novos desdobramentos na justiça. 

Órgãos como o Governo do Estado e o município de Estância informaram que irão recorrer da decisão na justiça. A Associação dos Juristas Católicos da Arquidiocese de Aracaju também irá colaborar com a ação. “Então, a gente quer contribuir com esse debate, levando luzes a esses aspectos que a gente acha que foi colocado ali em segundo plano e que deve ser melhor analisado”, concluiu ele.

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