Entenda o que é a condição boreout causada por falta de feedbacks e motivação
Você já ouviu falar da síndrome do tédio profissional? Ao contrário do Burnout, que é o esgotamento pelo trabalho, a síndrome está relacionada à falta de estímulos e ausência de novos desafios. Apesar de não estar catalogada pelo Ministério da Saúde, profissionais da área reconhecem os sintomas.
Reportagem de Nathália Cassiano e Antonio Matos
Um ambiente agradável e confortável faz toda a diferença no trabalho, porque além de ajudar na saúde mental dos profissionais, colabora na motivação e no empenho de cada um em produzir mais e melhor.
“Feedback dos meus supervisores e dos meus chefes ou saber que o meu trabalho tá tendo um impacto nas pessoas de alguma forma”, falou a jovem. Tenho que ver propósito e assim ver que aquilo pode impactar alguém”, disse a cidadã.
Segundo a Gallup, Empresa Americana de Pesquisa e Consultoria, sete em cada 10 trabalhadores brasileiros não estão engajados com o trabalho, um cenário que acende um alerta pela falta de motivação e de sentido na rotina profissional. É nesse contexto que pode surgir o chamado boreout, marcado pelo tédio, pela desmotivação e pela sensação de que as próprias capacidades não estão sendo aproveitadas.
O termo boreout foi usado pela primeira vez em 2007 pelos estudiosos suíços Peter Weather e Philip Hoflin. É derivado da palavra americana ‘boring’, que significa chato entediante. Ao contrário do burnout, a síndrome do tédio profissional ainda não consta na classificação internacional de doenças da Organização Mundial da Saúde, a OMS. Por isso também não está catalogada pelo Ministério da Saúde, mas profissionais da área reconhecem seus sintomas.
“Ela tá num momento em que a empresa não sabe muito bem o que fazer com ela e naturalmente a pessoa se desmotiva, se desinteressa e se entedia”, afirmou o coordenador do Programa de Psiquiatria Social IPQ- USP, Rodrigo Martins.
O psiquiatra dá algumas dicas para não se chegar ao ponto extremo da síndrome. “De fato, se não houver um canal de escuta que seja seguro para que não exponha o profissional, que não o constranja. Se não houver isso, de fato, as pessoas se calam, muitas vezes isso vai se manifestar quando a pessoa realmente adoecer. Quando ela precisar de um afastamento por depressão, por ansiedade”, concluiu ele.