Tradição sergipana envolve o trabalho de muitas mãos e representa a fé dos cidadãos
Na Quinta-feira Santa, a fé e a tradição tomam conta de São Cristóvão em Sergipe. Na cidade, acontece a procissão do fogaréu, uma celebração que atravessa séculos e emociona moradores e visitantes durante a Semana Santa.
Reportagem de Silas Santos e Sidiclei Sales
É nos detalhes que a tradição começa a ganhar forma. A separação e preparo das tochas, adereços e roupas, os cenários e o palco. Na penumbra da noite, a luz das tochas anuncia uma das manifestações religiosas mais tradicionais de Sergipe, a procissão do fogaréu de São Cristóvão. “Faz parte há 40 anos desse movimento que é a produção de fogaréu. E a aproximação do Fogaréu é uma grande encenação religiosa. Passamos pra população aquilo que foi contado, aquilo que aconteceu nos outros momentos de Jesus entre os homens, que foi a Semana Santa”, contou Manuel Muniz, um dos responsáveis pela organização da Procissão do Fogaréu.
“Fogaréu em si é trazida pelo pelos frades franciscanos para cá e desde a segunda metade do século XVI, além de um ato de fé, é um ato de preservar os costumes da América Portuguesa, desses padres que aqui vieram e mantêm até hoje. Eu acho que é interessante a comoção do povo”, relembrou o historiador, Adailton Andrade.
A procissão é marcada por encenações dos últimos momentos da vida de Jesus Cristo. A última ceia e a crucificação. Mais de 200 homens devem percorrer as ruas históricas de São Cristóvão, revivendo uma tradição que atravessa séculos.
As luzes são totalmente desligadas para dar passagem às chamas da procissão do fogaréu, transformando a cidade em um verdadeiro cenário de fé e reflexão. “Estar dentro desse meio é realmente gratificante. E saber que sou moradora de São Cristóvão, ajudar nisso tudo é uma sensação de dever cumprido com a minha cidade e dever cumprido de levar a mensagem de Cristo a tantas pessoas, porque nós recebemos pessoas do estado, do país. Então, pra gente é realmente gratificante”, expressou Myllena Prado, outra que também auxiliou na organização da Procissão do Fogaréu.




