Conheça a história do santuário mineiro que é cercado pela natureza e carrega nomes de artistas brasileiros influentes
Fé, arte e tradição. Há mais de duzentos anos, o Santuário do Bom Jesus do Bacalhau, no interior de Minas Gerais, abriga elementos significativos da arte religiosa mineira.
Reportagem de Léo Apolinário e Daniel Camargo
O Santuário do Bom Jesus do Bacalhau tem uma importância histórica, cultural e religiosa para Minas Gerais. Tudo começou com os bandeirantes paulistas em busca de ouro, além da relação com a batalha na Guerra dos Emboabas.
“Uma batalha da Guerra dos Emboabas aqui é próximo onde estamos e morreram muitas pessoas. Eles encontraram esta imagem que nós estamos aqui nesta sala, essa imagem taumaturga, milagrosa, essa imagem que traz essa devoção de Bom Jesus de Matosinhos. E quando levava para a Igreja de Santo Antônio, que foi a primeira Igreja do distrito, ela retornava aqui para cima, levava novamente, retornava novamente algo próprio também dessa devoção. Até que as pessoas entenderam que era necessário ficar aqui, construir um lugar aqui”, explicou o reitor do Santuário Bom Jesus do Bacalhau, padre Vitor de Campos.
Pequenos detalhes que chamam a atenção. Um dos olhos se volta para cima e o outro para baixo. Para a Igreja repleto de significados. “Manifesta essa mediação de Cristo entre o céu e a terra, manifesta as suas duas naturezas, divina e humana”, retomou ele.
São 240 anos de uma história que se mistura à do distrito de Santo Antônio do Pirapetinga. A devoção atravessa o tempo e se mantém viva até os dias de hoje.
A fé também está na arquitetura e nas obras de arte. A capela reúne elementos que ajudam a contar a história da arte religiosa em Minas. “Estamos num templo que manifesta a linha do rococó. Temos aqui grandes expoentes. Xavier Carneiro, que foi um marianense que pintou muitas Igrejas. Ataíde, a sua família viveu neste lugar também. Dizem que ele ajudou em alguns aspectos também. O irmão de Aleijadinho, padre Pedro Aleixo, também nos ajudou aqui. E também os ex votos, que são algumas manifestações de graças alcançadas daquele tempo antigo, que não tinha foto, não tinha o que temos hoje. Esse aqui é um dos poucos santuários que está voltado mais para a natureza, tombados pelo IPHAN e que as pessoas têm que vir para a zona rural para de fato fazer a sua experiência com Deus”, relatou o padre.