Um lugar onde natureza, história e mistério se encontram no interior do Espírito Santo. Em Castelo, uma gruta guarda vestígios arqueológicos, marcas da religiosidade e descobertas que ajudam a contar capítulos importantes da história do estado
Reportagem de Alan Toledo e Genilson Pacetti
O som que remete a um sino deu início às primeiras descobertas na Gruta do Limoeiro. “Um capitão chegou aqui em 1809. Ele veio trazido por uns índios que relataram que ele sabia onde tinha uma Igreja perdida. Ele achou até que fosse uma Igreja dos jesuítas, Nossa Senhora do Amparo, que foi pedida no século XVI”, contou o coordenador-geral do Museu de História de Castelo (ES), José Luiz Neves.
A cerca de 15 km do centro de Castelo está um dos maiores patrimônios naturais e históricos do Espírito Santo. “Além da biodiversidade que tem, a geodiversidade conta que a história geológica dela é de aproximadamente 600 milhões de anos. Então, ela está aqui há 600 milhões de anos, ela já viu o mar aqui, ela já viu o deserto e agora ela a gruta observa esse entorno aqui, que nós estamos vendo”, retomou o historiador.
Além do valor histórico que torna a Gruta do Limoeiro fundamental para o estudo da pré-história do estado do Espírito Santo, o local possui forte influência religiosa desde a sua descoberta. “Aqui na gruta nós temos a imagem de Nossa Senhora de Lourdes. Segundo a história, foi trazida pelos moradores da comunidade em 1935. E dia 11 de fevereiro é o dia da santa. Então, todo ano nessa época a comunidade faz a festa em louvor a santa. E tem muitas pessoas que fazem promessas, a nossa ordem de Lourdes. Então eles vêm aqui, pedir orações. E quando recebem as graças, vêm aqui para pagar a graça que eles receberam”, acrescentou o guia da Gruta do Limoeiro, Reginaldo Sisconeto.
Em 1979, o arqueólogo Celso Perota comandou a primeira equipe de pesquisadores e encontrou fósseis humanos, provavelmente da tribo indígena Puris, que viveram há aproximadamente 4.500 anos.
Em 2022, novas descobertas. “Fósseis da megafauna brasileira, que eram animais gigantescos. E nós encontramos aqui dentro da gruta uma preguiça gigante, o tigre-dente-de-sabre e o toxodonte, que é um animal parecido com um rinoceronte. E eles estavam aqui nessa gruta. E isso foi um impacto científico muito grande, porque é a primeira vez que se encontra no Espírito Santo, animais de grande porte da megafauna dentro da caverna”, retomou o especialista.
Esculpido pacientemente pela força da água ao longo dos milhares de anos, os salões revelam formas surpreendentes e despertam a imaginação de quem percorre seus caminhos, envolto pelo silêncio e pela grandiosidade da natureza.
Reconhecido como Patrimônio Cultural do Estado, o local mostra que a natureza também é capaz de escrever capítulos inesquecíveis da nossa história.




