Sacerdote comenta relação da Santíssima Trindade, celebrada pela Igreja neste domingo, 31, com a humanidade e a Criação
Gabriel Fontana
Da Redação

A Santíssima Trindade, Francisco Caro. Óleo sobre tela.
Mistério central da fé católica, a Santíssima Trindade é celebrada pela Igreja neste domingo, 31. A solenidade recorda que Deus é Uno e Trino — Pai, Filho e Espírito Santo unidos em uma perfeita comunhão.
Vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Lorena (SP), padre Willian José Fernandes recorda que foi durante os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla I (381) que se consolidou o dogma da Santíssima Trindade. A partir deles, surgiu a fórmula que se professa no Símbolo Niceno-constantinopolitano.
“Deus é um em três e três em um, sem mistura nem confusão. Não há unidade sem trindade e não há trindade sem unidade”, expressa o sacerdote. Neste contexto, cita Santo Agostinho, que afirma que Deus é uma eterna comunhão de amor, revelado aos homens em Jesus Cristo — Deus Filho, feito homem.
Padre Willian explica ainda que o culto litúrgico à Santíssima Trindade surgiu no final do século VIII. Nos séculos seguintes, por toda a Europa ocidental, surgiram outros textos litúrgicos e um ofício próprio para a Liturgia das Horas, até que a festa da Santíssima Trindade foi finalmente instituída no Rito Romano pelo Papa João XXII, em 1334.
Revelação divina

Padre Willian José Fernandes / Foto: Arquivo pessoal
Sobre a revelação divina, o sacerdote recorda a constituição dogmática Dei verbum, que afirma: “Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina” (n. 2).
Segundo padre Willian, a Criação reflete perfeitamente as três pessoas da Santíssima Trindade: o Pai se reflete em sua própria obra, o Filho encontra seu reflexo na humanidade e o Espírito Santo é refletido no mundo angélico. Contudo, o pecado fez com que os homens se afastassem do Senhor e manchassem sua imagem, que já não pode mais refletir a Deus.
Ao revelar-se Deus nos oferece a salvação e ao salvar a criação, a glória de Deus é restaurada.
— Padre Willian José Fernandes
“Também a Criação geme em dores de parto, por causa das más ações dos homens, e o mundo angélico sofreu uma dura queda pelo orgulho da antiga serpente, o dragão, o sedutor do mundo, que foi expulso do Céu com os seus anjos”, acrescenta o sacerdote. “Assim, a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo acontece em vista da salvação dos homens”, salienta.
Orações
Em resposta à revelação e à ação divina, padre Willian José aponta que a oração mais perfeita que os fiéis podem rezar é a Santa Missa, que é o sacrifício de Cristo, oferecido por ele mesmo. “É Jesus quem nos manda renovar este sacrifício. Na Santa Missa, o sacerdote, que age em persona Christi (na pessoa de Cristo), se dirige ao Pai, para que este, pela ação do Espírito Santo, realize a transubstanciação”.
“É a oração do Filho, ao Pai, através do Espírito”, prossegue o sacerdote. “É a oração perfeita, na qual cada pessoa da Trindade age na totalidade do mistério do sacrifício, mistério este que nos revela o amor de Deus”, complementa.
Quanto às orações privadas, padre José Willian aponta que, de maneira geral, os fiéis se dirigem mais comumente ao Filho. “É mais fácil para um fiel se dirigir ao Filho porque ele viveu humanamente muitos dos nossos dramas cotidianos: fome, nudez, perseguição, cansaço, a perda de um ente querido”, pontua.
O sacerdote indica, porém, que a Renovação Carismática Católica introduziu um novo modo de se relacionar com o Espírito Santo. A “novidade” serviu para uma maior aproximação dos fiéis, que já tinham tradições bem enraizadas pela piedade popular, a exemplo da Festa do Divino.
“O Pai, apesar de não ser tão invocado diretamente, ao menos nas orações privadas, é Aquele para quem se dirige a oração do Filho”, sinaliza padre Willian. “Assim sendo, não há como separar a ação das três Pessoas Divinas. O Pai age através do Filho, pela ação do Santo Espírito. Não há separação, divisão ou confusão”, conclui.




