VISITA A SAN MARINO

Papa frisa que não há liberdade sem comunhão: “ficam juntas ou caem”

Leão XIV iniciou visita pastoral a San Marino neste sábado, 22, com discurso a autoridades e sociedade civil em que refletiu sobre a liberdade

Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV discursa às autoridades e à sociedade civil no Palácio Público de San Marino / Foto: REUTERS/Claudia Greco

O Papa realiza neste sábado, 22, uma visita pastoral a San Marino e a Rimini, onde participará do Encontro para a Amizade entre os Povos. O Pontífice partiu de Roma às 8h locais, chegando ao micro-estado menos de uma hora após a decolagem.

Em San Marino, o Santo Padre foi recebido no Palácio Público, onde discursou às autoridades e à sociedade civil. Em sua fala, Leão XIV refletiu sobre a liberdade, presente no lema do microestado, definindo-a como “uma única palavra, mas de quanta densidade”.

O Papa ressaltou a aspiração do povo local “de não depender de outras autoridades políticas”, mas também de respeitar e promover a dignidade da pessoa humana. Neste contexto, explicou que “não há verdadeira liberdade civil sem liberdade pessoal”, garantida por Deus que ressoa em cada indivíduo.

“Promover a liberdade implica defender os espaços da consciência”, afirmou o Pontífice. “Ainda hoje, em muitas partes do mundo, não faltam pessoas que permanecem fiéis à própria consciência, mesmo em contextos de forte adversidade, testemunhas da verdadeira liberdade, aquela que deriva de serem filhos e filhas de Deus. Com admiração, expressamos a nossa solidariedade a todos aqueles que, neste momento, pagam pessoalmente por não terem traído a própria consciência”, acrescentou.

Liberdade e comunhão

O Santo Padre indicou ainda que a liberdade se realiza no dom, na comunhão, no encontro e no diálogo. Neste sentido, falou sobre a idolatria, que “corrompe pela raiz aqueles projetos políticos e econômicos que se apresentam em nome da liberdade, mas que, na realidade, são escravos dos ídolos e do poder”.

“Na visão cristã, liberdade e comunhão ou permanecem de pé, ou caem juntas. Muitos santos e santas deram início a experiências de vida comunitária nas quais as pessoas exprimem a própria liberdade na obediência a uma regra baseada no Evangelho”, destacou Leão XIV.

Ele apontou que, na história de San Marino, a liberdade significa um compromisso jamais abandonado com uma participação ativa e positiva na construção da paz. “Por isso, compartilhamos a estima pela diplomacia e pelo multilateralismo, como caminhos privilegiados para cultivar as relações internacionais e promover o entendimento entre as nações”, expressou.

A boa política

Recordando sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, o Papa reforçou que a humildade e a paciência junto à diplomacia colaboram com os processos de paz e são contrárias às retóricas agressivas e lógicas de poder que marcam o nosso tempo. Diante disso, convidou San Marino a ser um “laboratório” de boa política, onde, sem deixar de lado a laicidade do Estado, é possível inspirar-se nos princípios da Doutrina Social Católica: a busca do bem comum, o destino universal dos bens, a harmonia entre subsidiariedade e solidariedade e a justiça social.

O principal objetivo a ser alcançado, continuou o Pontífice, é o cuidado do ser humano. A capacidade de saber cuidar uns dos outros, uma sensibilidade que também é fruto da tradição cristã, é uma dimensão importante da humanidade, reiterou.

Saudação aos fiéis

Após o discurso, o Santo Padre foi até o balcão central do Palácio Público para saudar os fiéis reunidos. Ele agradeceu a todos pela acolhida e expressou sua alegria em estar em San Marino para desfrutar da beleza, da história, da tradição e da fé do povo do microestado.

“Desejo a vocês tudo de bom: que vivam sempre em autêntica liberdade, com a autêntica liberdade em Cristo Jesus, com a verdade, e que estejam sempre unidos neste espírito de acolhimento”, concluiu Leão XIV.

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