NOVA MISSÃO

Em São Paulo, Igreja Armênia ordena diácono após espera de 95 anos

Aos 18 anos, Mário ingressou no seminário ortodoxo e foi morar na Armênia; em 2021, foram abertas as portas para seu retorno à Igreja Católica

A Igreja Armênia no Brasil celebra neste domingo, de mês Vocacional, a ordenação de seu primeiro diácono, após 95 anos sem ordenações. Depois de um longo caminho de preparação, o jovem seminarista chegará às ordens pelas mãos de Dom Vartán Waldir Boghossian, exarca apostólico emérito da América Latina e México, na cidade de São Paulo.

Reportagem de Malu Sousa e Antonio Matos

 

Localizada entre a Ásia e a Europa, a Armênia é uma das primeiras civilizações cristãs do mundo. Com o extermínio imposto pelo Império Otomano entre 1915 e 1923, muitos armênios deixaram o país da chamada Diáspora Armênia.

Quase 3 milhões de armênios e descendentes estão no mundo hoje, como Mário, filho de armênios, e que em casa foi educado na fé católica. Para não perder as raízes culturais, foi estudar na única escola Armênia de São Paulo, que é ortodoxa, e foi lá, dividido entre servir a Igreja Católica, aos domingos, e a liturgia ortodoxa, que nasceu o seu chamado vocacional.

“Quando converso com jovens, sempre falo que a vocação é algo que Deus vai abrindo o livro e as páginas nós vamos lendo aos poucos”, falou o seminarista, Mário Nakashian Filho.

Aos 18 anos, Mário ingressou no seminário ortodoxo e foi morar na Armênia. Foram 5 anos de estudos. Deus traça os próprios caminhos para que a divina vontade aconteça. “Mas quando a gente confia e a gente deixa as velas na mão de Deus, o barco chega no destino final que deve ser chego. Que eu tenho certeza que no futuro poderei realizar um bom trabalho, tendo essas duas realidades dentro de mim”, retomou ele.

Em 2021, a avó de Mário faleceu, ele volta para o Brasil e a pandemia dificultou o retorno para a Armênia e abriu as portas para seu retorno à Igreja Católica. “Por isso eu falo que Deus escreve certo em linhas tortas. Por isso que eu falo: ‘o filho, a casa torna’. Eu retornei ao meu berço. Houve uma reaproximação da minha parte a esta paróquia, a minha verdadeira casa. E a partir desse retorno, eu continuei meus estudos, só que não mais na Armênia, eu fui para Roma”, recordou Mário.

“Desde que os armênios vieram para o Brasil, nunca se teve uma vocação armênia nascida no Brasil. Hoje estou aqui como brasileiro ajudando a comunidade, mas sempre esperando pela ordenação de alguém. O Mário deu o seu sim como Maria e veio aqui, assumiu a Missão Armênia, a missão católica aqui desta comunidade e um grande ganho para todos nós”, pontuou o pároco da Igreja São Gregório Iluminador, padre Antônio Francisco Lelo.

A partir de domingo, Mário dá um novo passo e assume o novo nome, fazendo referência a um dos mais tradicionais santos armênios. “O meu nome de batismo é Mário, porém a partir desse domingo será serei chamado Mesrob. Mesrob, como nós temos o segundo vitral, que conta a história de Mesrob Machdots, é um dos santos mais importantes dentro da história, dentro da tradição cristã, mas a partir de domingo já é uma nova identidade, é uma nova história”, apontou o seminarista.

Sua ordenação diaconal acontece neste domingo às 11 da manhã na paróquia São Gregório Iluminador no bairro da Luz. O cardeal Odilo Scherer, administrador apostólico do exarcado Armênio, também vai participar da celebração. “E que a gente possa no futuro realizar um bom trabalho. É isso que é isso que esperam, é isso que eu também espero, que sempre possa ser recíproco esse passo”, concluiu ele.

Um dia muito especial para Mário e toda a Igreja Armênia no Brasil, que ficou 95 anos à espera de novas vocações. Que a ordenação de Mário seja o início de um novo tempo para messe, tão necessitada de mais operários para o reino de Deus.

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