Save the Children lançou apelo a líderes mundiais para que defendam crianças libanesas e afirmou que ordens de evacuação podem gerar catástrofe humanitária
Da Redação, com Vatican News

Fumaça toma céu de Beirute após explosões na zona sul da capital do Líbano / Foto: Reprodução Reuters
“Exortamos os líderes mundiais a impedir um ataque em grande escala contra uma cidade densamente povoada e a salvaguardar a vida das crianças. Falhamos em proteger as crianças de Gaza; não podemos falhar com as do Líbano”.
Essas são palavras do diretor da organização não-governamental Save the Children no Oriente Médio, Ahmad Alhendawi, que instou a comunidade internacional a agir rapidamente para evitar o que chamou de “uma catástrofe humanitária no Líbano”.
As tensões entre Israel e o Hezbollah aumentaram rapidamente desde o dia 2 deste mês, quando a organização xiita lançou ataques com foguetes contra Israel, que respondeu imediatamente. As ordens de evacuação emitidas pelo exército israelense para os moradores dos bairros do sul de Beirute se intensificaram rapidamente, atingindo pelo menos 700 mil pessoas.
Na noite daquele mesmo dia, a Save the Children relatou que crianças e famílias nos subúrbios do sul da capital libanesa foram forçadas a deixar suas casas, levando consigo o pouco que podiam e encontrando abrigo improvisado em carros ou escolas danificadas, em meio à insegurança e ao medo.
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“Os civis estão pagando o preço mais alto”
Os últimos relatórios do Ministério da Saúde libanês indicam mais de 500 ataques aéreos israelenses no sul do Líbano, reduto do Hezbollah, na última semana. Até o momento, aproximadamente 400 pessoas morreram, incluindo pelo menos 80 crianças, e mais de 600 ficaram feridas. As ordens de evacuação israelenses foram gradualmente estendidas a todo o sul do Líbano, deslocando até 500 mil pessoas.
A diretora do Conselho Norueguês para Refugiados no Líbano, Maureen Philippon, afirmou: “Mais uma vez, os civis estão pagando o preço mais alto. Com as últimas ordens de evacuação, o risco de uma nova crise humanitária é muito real”.
Os abrigos improvisados ”estão cada vez mais lotados e inadequados para famílias, com canos quebrados vazando água e camas faltando”, alertou a diretora da Save the Children no Líbano, Nora Ingdal. Ela estima que haja pelo menos 95 mil pessoas deslocadas. Organizações não governamentais que atuam na região enfatizam a gravidade da situação, especialmente para as crianças e seu bem-estar.
Esta nova guerra, resumiu Philippon, está mais uma vez forçando famílias inteiras a fugir — famílias que “mal tinham começado a reconstruir suas vidas”. Diante de uma emergência sem precedentes, organizações humanitárias intensificaram seus esforços para distribuir roupas e alimentos para apoiar as famílias e para fornecer assistência imediata a mulheres, idosos e pessoas com deficiência.




