Secretário-geral da Comissão Nacional dos Diáconos, Leandro Marcelino Santos, explica como é exercido o ministério diaconal e os critérios para ser ordenado
Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: ViktorCap by GettyImages
Na primeira semana do Mês das Vocações no Brasil, são comemorados os ministros ordenados, ou seja, aqueles que receberam o sacramento da Ordem. Isso inclui os sacerdotes, cujo dia foi comemorado nesta terça-feira, 4, mas também os bispos e os diáconos.
Casado há 33 anos e pai de três filhas, o diácono Leandro Marcelino Santos foi ordenado em 2013, na Diocese de Mogi das Cruzes (SP). Ele exerce seu ministério na Paróquia São Benedito, no bairro da Vila Suissa, e desde 2023 é o secretário-geral da Comissão Nacional dos Diáconos (CND) — sem deixar de exercer sua atividade profissional na área de Tecnologia da Informação.
Leandro observa que ninguém se torna diácono porque trabalhou muitos anos na comunidade ou ocupa uma posição de destaque na Igreja. “O diaconato não é um prêmio, mas um chamado de Deus”, afirma.
Origem na Igreja nascente

Santo Estêvão / Imagem: Reprodução Arquidiocese de Manaus
O secretário-geral da CND explica que o diaconato é o primeiro grau do sacramento da Ordem, pelo qual recebe uma graça especial para servir à Igreja em comunhão com o bispo e os presbíteros.
A origem deste ministério tem suas raízes na Igreja nascente. Nos Atos dos Apóstolos (6,1-6), encontra-se um relato da escolha de sete homens que ficaram encarregados do serviço à comunidade, especialmente aos mais necessitados. Um dos mais conhecidos é Santo Estêvão, que se tornou o primeiro mártir da Igreja.
Com o passar dos séculos, o diaconato ficou praticamente restrito ao período de preparação para o sacerdócio. “Foi o Concílio Vaticano II que restaurou o diaconato permanente como um ministério próprio e estável dentro da Igreja”, observa Leandro.
Missão diaconal
A missão do diácono consiste em tornar presente o Cristo Servo, dedicando especial atenção aos pobres, doentes, sofredores, excluídos e a todos aqueles que mais precisam da presença da Igreja. “Ele recorda a toda a comunidade cristã que não existe evangelização sem serviço, nem verdadeira fé sem caridade”, afirma Leandro.
Dessa forma, o ministério diaconal se desenvolve em três dimensões: o serviço da Palavra, anunciando o Evangelho, pregando, evangelizando e ajudando na formação da fé; o serviço da Liturgia, assistindo nas celebrações, proclamando o Evangelho, administrando o Batismo, assistindo e abençoando casamentos quando recebe essa missão, presidindo exéquias, celebrações da Palavra e outros sacramentais; e o serviço da Caridade, manifestado na proximidade a todos aqueles que vivem situações de sofrimento.
“É importante lembrar que todo cristão é chamado a evangelizar e praticar a caridade. O que diferencia o diácono é que ele recebe esse serviço como um ministério ordenado, tornando-se um sinal visível de Cristo Servo no meio do povo de Deus”, salienta o secretário-geral da CND.
Critérios para a ordenação

Diácono Leandro Santos e sua esposa, Joyce Ariane / Foto: Arquivo pessoal
Leandro explica que podem ser chamados, para o diaconato, homens católicos que tenham uma vida cristã sólida, boa reputação, maturidade humana e espiritual e verdadeira disposição para servir. Os candidatos podem ser solteiros, celibatários ou casados.
Os homens casados devem ter, normalmente, pelo menos 35 anos de idade, viver um matrimônio estável e contar com o consentimento formal da esposa. “Além disso, precisam ter condições de garantir o sustento da própria família e exercer uma atividade profissional compatível com as exigências do ministério diaconal”, complementa.
Os candidatos solteiros ou celibatários, por sua vez, podem ser ordenados a partir dos 25 anos. Ao receberem a ordenação, assumem livremente o compromisso de permanecer no celibato e, por isso, não podem se casar depois.
Processo formativo
“A formação para receber a ordenação é um caminho de vários anos, marcado por oração, discernimento, estudos e experiência pastoral”, indica Leandro. Nesse processo, o candidato recebe formação humana, espiritual, teológica e pastoral, além de ser instituído nos ministérios de Leitor e Acólito antes da ordenação.
O processo formativo também marca a diferença entre o diácono transitório e o permanente. No primeiro caso, o candidato recebe o diaconato como uma etapa antes de ser ordenado padre. No segundo, trata-se da vocação definitiva do ordenado, que permanece exercendo este ministério durante toda a vida, assim como Leandro.
“Os dois recebem exatamente o mesmo sacramento e possuem a mesma dignidade sacramental [como diáconos]. O que muda é o caminho vocacional que cada um foi chamado a percorrer”, conclui.




