Sport Clube Originários reforça tradição de seus povos através do futebol
Em ano de Copa do Mundo, uma história mostra que o futebol também pode mudar trajetórias. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, um time vem chamando atenção pelo impacto que gera dentro e fora de campo.
Reportagem de Alan Toledo e Ederaldo Paulini
Considerada um paraíso natural, Maricá reúne praias, montanhas e paisagens desenhadas à mão pelo Criador, lugar de calmaria e privilégios. Mas também se transforma em palco para quem encontrou no futebol uma oportunidade de mudar a própria história. Eles não entram em campo sozinhos. Um povo inteiro joga junto. Antes do apito, antes da torcida e até da vitória, existe uma caminhada silenciosa, feita de saudade, sacrifício e propósito.
No peito, esse time carrega muito mais que um escudo, carrega a história de um povo.
“E aí o Originário veio para combater o preconceito, a desigualdade, o respeito, de uma forma diferente, mostrando futebol, mostrando a arte, mostrando as pinturas que leva no corpo, a língua, o étnico, da onde ele vem. É muito completo o nosso time”, contou o cacique e presidente do time, Tupã Darcy Nunes.
Na ponta da chuteira, o desejo de crescer. No suor derramado, a certeza de que a caminhada é árdua, mas precisa ser enfrentada com força e coragem. “É um time formado 100% indígena e tenho orgulho de estar aqui hoje representando principalmente o meu povo indígena da minha tradição, do povo Potiguara e fazer um um bom campeonato, chegar ao resultado a uma grande final que é a grande conquista de todos”, partilhou o zagueiro do Originários, Daniel da Costa Viana.
Cada treino também se transforma em uma maneira de honrar aqueles que vieram antes. “Além de representar a sua etnia, eles têm oportunidade de mudar de vida, de ajudar suas famílias, de ter uma progressão para uma projeção para um clube maior, para um clube melhor e dar sequência na carreira deles”, contou o treinador, Huberlan Silva.
O Sport Clube Originários nasce como resistência. É o primeiro time indígena a disputar uma divisão nacional, a Série C do Campeonato Carioca. “O time é composto por 15 etnias diferentes um do outro. É muito rico. Nós estamos 350 no Brasil e falamos 300 etnias, línguas. Amo muito cada um deles por ter disponibilizado a sua coragem, acreditar, correr atrás do seu sonho”, completou o cacique.
Quando a bola rola, cada dividida carrega a oportunidade de ser grandiosa. Organizar, persistir, recomeçar, porque o verdadeiro resultado vai além do gol. Mesmo em dia de treino, dentro das quatro linhas, eles reforçam que sonhar ainda é permitido.