Em audiência com membros da Associação de Faculdades e Universidades Católicas dos EUA, Leão XIV refletiu sobre desafios da educação na era da inteligência artificial
Da Redação, com Vatican News

Foto: Canva
As implicações do desenvolvimento da inteligência artificial afetam hoje quase todos os aspectos da existência humana, inclusive a educação. Este foi um dos temas refletidos durante a audiência concedida pelo Papa Leão XIV nesta quarta-feira, 3, a uma delegação da Associação de Faculdades e Universidades Católicas.
A organização é a porta-voz do ensino superior católico nos Estados Unidos. Aos presentes, o Pontífice alertou para a crescente “fragmentação do saber” — o risco de adquirir competências especializadas em um determinado campo sem ser mais capaz de conectar as informações a um conhecimento mais profundo ou de manter um sentido claro de propósito.
Citando sua recém-publicada carta encíclica Magnifica Humanitas, o Santo Padre observou que, embora não faltem pessoas altamente competentes em áreas específicas, muitas delas “têm dificuldade em dar direção às suas vidas” e manter um “horizonte de sentido”. “Muitas vezes, carecem de uma visão global da realidade capaz de unir não apenas os diversos campos do conhecimento, mas também os múltiplos aspectos da vida e os desejos mais profundos do coração humano”, sinalizou.
Paixão pela Verdade
Neste contexto, a educação católica desempenha um papel essencial na orientação das perspectivas profissionais dos jovens e na condução de seu desejo de conhecimento. Segundo Leão XIV, o objetivo é ajudá-los a “aprender a buscar e amar a verdade, a questionar-se sobre o sentido da vida e sobre a dignidade de cada pessoa”.
O Papa reconheceu que esta é uma tarefa nada simples, pois a busca da verdade exige não apenas estudo e acompanhamento, mas também um forte compromisso pessoal. “A menos que a educação católica infunda nos alunos uma autêntica paixão pela verdade — e não apenas pela verdade intelectual, mas também pela Verdade que é o próprio Cristo —, dificilmente podemos esperar que as pessoas estejam dispostas a fazer o esforço necessário para reconhecer a verdade e adequar sua vida de acordo com ela”, pontuou.
Citando também a carta apostólica “Traçar novos mapas de esperança”, o Pontífice recordou que as instituições católicas devem ser ambientes em que a visão cristã permeie todas as disciplinas e todas as interações. Esta missão é alimentada pela autenticidade com que o “Evangelho vivo” é transmitido, oferecendo na fé católica a “visão unificadora que só a Verdade pode dar”.
Desafios da IA
Em um nível prático e pedagógico, o Santo Padre destacou as crescentes dificuldades na avaliação do trabalho dos alunos devido à disseminação da inteligência artificial. A afirmação foi recebida com risos bem-humorados pelos presentes e pelo próprio Papa, que teve experiência como professor. Ele exortou os educadores a adaptarem “criativamente” seus métodos de ensino para garantir uma educação autenticamente integral da pessoa.
“Nesse sentido, devemos estar dispostos a investir generosamente na educação das futuras gerações. É essencial que os homens jovens e as mulheres jovens aprendam a interagir positivamente com as novas tecnologias, ao mesmo tempo que desenvolvem seus talentos e capacidades doados por Deus de raciocinar, pensar de maneira crítica e confiar o conhecimento à memória, preparando-os assim para moldar de forma responsável o mundo que está por vir”, declarou.
Leão XIV concluiu seu discurso desejando que os estudantes das instituições pertencentes à Associação de Faculdades e Universidades Católicas possam encontrar na “sã doutrina” confiada à Igreja um fundamento autêntico e duradouro não apenas para suas vidas pessoais, mas também para o futuro dos Estados Unidos.




