Ferramenta térmica identifica praga com mais agilidade e facilita o processo
A Paróquia São Paulo da Cruz, localizada na zona oeste de São Paulo, adotou uma tecnologia sustentável para combater a infestação de cupins. O método controla a praga sem a necessidade de utilizar substâncias químicas.
Reportagem de Nathália Cassiano
Imagens de Antônio Matos, Stephan Schäfer Conservação e Restauro
Quem passa pela paróquia São Paulo da Cruz, na capital paulista, não imagina a batalha invisível e silenciosa que vinha sendo travada por aqui. A cúpula do templo, conhecida como Igreja do Calvário, estava tomada por cupins. Uma solução sustentável e altamente tecnológica foi estabelecida para conter a infestação, a descupinização térmica.
“A gente fez um fechamento e isolamento térmico da parte de trás e aí aquecemos toda a cúpula e depois medimos a temperatura por termografia aqui do lado de dentro”, relatou o restaurador e empresário, Stephan Schafer.
Depois de meses de estudo e preparação, o trabalho durou em torno de 4 dias. Um método que usa calor controlado para não agredir o meio ambiente. “A gente não usa inseticidas, nenhum produto químico e também não depende de um líquido para aplicar o calor”, retomou o restaurador.
Mais do que restaurar um edifício, esse trabalho preserva a fé, a memória e a identidade da comunidade. É uma forma de garantir que este importante marco arquitetônico da zona oeste continue acolhendo os paulistanos pelas próximas gerações.
“Ela como um espaço de espiritualidade tem servido muito à população para que as pessoas possam vir aqui e se servir deste lugar de oração”, partilhou o pároco da Igreja do Calvário, padre Francisco das Chagas da Silva.
No ano do centenário da paróquia, famosa por suas quermesses e pelo forte papel comunitário no bairro, a Igreja se tornou um modelo de como a tecnologia pode contribuir para preservar as referências históricas.
“A equipe acabou tomando conhecimento dessa nova tecnologia, de não usar veneno na madeira para matar o cupim, mas usar a temperatura, porque não danificaria muito, apesar de já ter o risco ali do cupim infestado. Então pioraria ainda mais com o veneno das coisas. Então isso nos alegrou muito, essa nova forma”, completou o pároco.