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Contra a guerra

A guerra é um sacrilégio, destaca livro do Papa sobre a construção da paz

“Contra a guerra. A coragem de construir a paz” é o livro do Papa Francisco que sairá amanhã 

Da Redação, com Vatican News 

Guerra no Leste da Ucrânia – Escola após bombardeio / Foto: Jakub Laichter by Getty Images

“Contra a guerra. A coragem de construir a paz” é o livro do Papa Francisco que sairá nas bancas de jornal nesta quinta-feira, 14, junto com o Corriere della Sera (jornal italiano). O livro apresenta o diálogo como arte política, a construção artesanal da paz e o desarmamento como uma escolha estratégica.

Na introdução do livro, divulgada hoje pelo Portal Vatican News, o Papa Francisco recorda sua peregrinação ao Iraque martirizado há um ano, ocasião em que pôde experimentar o desastre causado pela guerra. “Nunca teria imaginado de ver um ano depois um conflito irromper na Europa”, afirma o Papa.

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Francisco volta a mencionar a Terceira Guerra Mundial, vivida, segundo ele, aos pedaços. São tantas guerras acontecendo no mundo, provocando a fuga de milhares de pessoas e destruição, lamenta o Pontífice, acrescentando a atual guerra na Ucrânia.

“Diante das imagens angustiantes que vemos todos os dias, diante do choro de crianças e mulheres, só podemos gritar: “Parem!”. A guerra não é a solução, a guerra é uma loucura, a guerra é um monstro, a guerra é um câncer que se autoalimenta engolindo tudo! Além disso, a guerra é um sacrilégio”, enfatiza o Papa.

O livro, publicado pela Solferino e Livraria Editora Vaticana, está disponível apenas em italiano por enquanto. A obra será apresentada no dia 29 de abril em Roma na Universidade LUMSA, com intervenção do secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin. 

Leia, abaixo, a introdução do livro do Papa:

Há um ano, em minha peregrinação ao Iraque martirizado, pude experimentar o desastre causado pela guerra, violência fratricida e terrorismo. Vi os escombros das casas e as feridas dos corações, mas também sementes de esperança de renascimento. Nunca teria imaginado de ver um ano depois um conflito irromper na Europa. Desde o início do meu serviço como bispo de Roma, falei sobre a Terceira Guerra Mundial, dizendo que já a estamos vivendo, mesmo que ainda em pedaços. Esses pedaços se tornaram cada vez maiores, soldando-se entre si. Tantas guerras estão acontecendo no mundo neste momento, causando imensa dor, vítimas inocentes, principalmente crianças. Guerras que provocam a fuga de milhões de pessoas, obrigadas a deixar suas terras, suas casas, suas cidades destruídas para salvar suas vidas. Essas são as muitas guerras esquecidas, que de vez em quando reaparecem diante de nossos olhos desatentos.

Estas guerras nos pareciam “distantes”. Até que, agora, quase de imprevisto, a guerra eclodiu perto de nós. A Ucrânia foi agredida e invadida. Infelizmente, muitos civis inocentes, mulheres, crianças e idosos foram obrigados a viver em abrigos cavados no ventre da terra para fugir das bombas, com famílias que se dividem porque os maridos, pais e avós ficam para lutar, enquanto esposas, mães e avós procuram refúgio após longas viagens de esperança e cruzam a fronteira buscando acolhimento em outros países que os recebem com grandeza coração.

Diante das imagens angustiantes que vemos todos os dias, diante do choro de crianças e mulheres, só podemos gritar: “Parem!”. A guerra não é a solução, a guerra é uma loucura, a guerra é um monstro, a guerra é um câncer que se autoalimenta engolindo tudo! Além disso, a guerra é um sacrilégio, que destrói o que há de mais precioso em nossa terra, a vida humana, a inocência dos pequenos, a beleza da criação.

Sim, a guerra é um sacrilégio! Não posso deixar de recordar a súplica com que, em 1962, São João XXIII pediu aos poderosos do seu tempo para deterem a escalada bélica que poderia levar o mundo ao abismo do conflito nuclear. Não posso esquecer a força com que São Paulo VI, falando em 1965 na Assembleia Geral das Nações Unidas, disse: «Nunca mais a guerra, nunca mais guerra!». Ou, ainda, os muitos apelos pela paz de São João Paulo II, que em 1991 definiu a guerra como “uma aventura sem volta”.

O que estamos vendo é mais uma barbárie e, infelizmente, temos uma memória curta. Sim, porque se tivéssemos uma memória, lembraríamos o que nossos avós e pais nos contaram, e sentiríamos a necessidade de paz, assim como nossos pulmões precisam de oxigênio. A guerra altera tudo, é pura loucura, seu único objetivo é a destruição e ela se desenvolve e cresce através da destruição e se tivéssemos memória, não gastaríamos dezenas, centenas de bilhões de dólares em rearmamento, em nos equiparmos com armas cada vez mais sofisticadas, em aumentar o mercado e o tráfico de armas que acabam matando crianças, mulheres e idosos: 1981 bilhões de dólares por ano, de acordo com os cálculos de um grande centro de pesquisa de Estocolmo. Isto representa um aumento dramático de 2,6% no segundo ano da pandemia, quando todos os nossos esforços deveriam ter sido concentrados na saúde global e em salvar vidas humanas do vírus.

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