Francisco demonstrou atenção e afeto a fiel com questionamentos na fé
Falamos da amizade entre um Pontífice e um escritor. Nesta semana que marca um ano de falecimento do Papa Francisco, nossa equipe na Itália conta a história de amizade do Papa argentino com um escritor italiano.
Reportagem de Danúbia Gleisser
Imagens de Leonardo Vieira, Gabriela Mariah e Vatican News
Uma simples carta deu início a uma amizade inesperada entre o escritor Luca Drusian e o Papa Francisco. Incentivado por um conhecido, ele escreveu ao Pontífice sem imaginar que receberia uma resposta. “Eu não imaginava que uma pessoa simples pudesse falar com o Papa. Pensei que talvez recebesse apenas uma carta ou um rosário abençoado pelo Vaticano”, disse o amigo do Papa Francisco, Luca Drusian.
Dois meses depois, Luca recebeu uma ligação de um número desconhecido. Mesmo assim, atendeu. “Não me disse quem eram mas sim ‘Olá, falo com Luca. E começou a citar trechos da carta que eu tinha escrito. Foi quando eu percebi que era o Papa. Então eu disse: ‘Santo Padre?’. Ele confirmou e me consolou e me ajudou a reler aquela história”, relembrou ele.
Na carta, Luca falava das dificuldades vividas na juventude e de incompreensões dentro da Igreja, mas sem julgar ninguém. Esse testemunho chamou a atenção de Francisco, que decidiu telefonar e depois convidar o escritor para um encontro pessoal na Casa Santa Marta.
“Eu perguntei como poderia encontrá-lo. Nos vimos então na Casa Santa Marta. O encontro durou mais de uma hora e o Papa ouviu toda a minha história, fez poucas perguntas e falou que acreditava em tudo que eu lhe disse”, expressou o cidadão.
A partir desse encontro, nasceu uma amizade que se transformou em missão, promover a escuta nas ruas. “O que sempre me impressionou no Papa Francisco é que quando ele ouvia alguém, primeiro ele acreditava. Dessa experiência nasceram os laboratórios da escuta, projetos inspirados por ele, onde eu visito escolas, centros comunitários para compartilhar experiências de escuta com jovens, adultos e idosos”, apontou Luca.
Luca decidiu registrar os ensinamentos do Papa em um vídeo. Na mensagem aos jovens das oficinas de escuta, Francisco destacou que uma das atitudes mais importantes da vida é saber escutar, deixar o outro falar até o fim, compreender bem e só depois responder. “Aquele vídeo foi transmitido em 32 países e acabou sendo divulgado no dia do sepultamento do Papa. E do início do jubileu dos adolescentes. Para mim foi como um último testamento, um convite aos jovens para escutar especialmente os avós e reconhecer Cristo nesse gesto”, concluiu ele.





