Novas regras exigem planejamento e adequação das empresas às normas de segurança ocupacional
A partir desta terça-feira, 26, a NR-1, norma que estabelece as diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho passa a obrigar empregadores a identificar e prevenir riscos à saúde mental dos trabalhadores. Empresas que não se adequarem podem ser multadas.
Reportagem de Vanessa Anicio e Daniel Camargo
Durante anos, situações de pressão extrema no ambiente de trabalho foram tratadas como algo normal. A rotina acabou deixando marcas profundas. “Eu tinha tanto serviço que eu abria mão do meu descanso, da minha qualidade de vida para eu poder executar tudo dentro do tempo”, disse a entrevistada.
A ex-funcionária, que prefere não se identificar, chegou ao ponto de ser afastada da função por orientação médica, pelo quadro de estresse desencadeado pela pressão e excesso de demandas. Ao retornar à empresa, surpresa, ela foi desligada da instituição.
“Ele se aproveitou dessa ausência minha, dessa licença médica, aproveitou e falou assim: ‘Eu não quero ela mais, aproveita que já não tá vindo para não vir mais’”, disse.
“Essa NR1, essa nova versão, essa nova redação, vem trazendo, um acompanhamento, não intuito de frear esse avanço tecnológico, mas de resguardar para que isso seja feito de forma saudável”, explicou a advogada especialista em direito do trabalho, Raquel Carvalho.
Criadas em 1978 pelo Ministério do Trabalho, as normas regulamentadoras estabelecem responsabilidades para empresas e trabalhadores na prevenção de situações que possam afetar a saúde física e mental dos funcionários.
Em agosto de 2024, a NR1, que atua como base para as demais normas regulamentadoras, foi atualizada com foco na prevenção de riscos à saúde mental e psicossociais no ambiente de trabalho.
A partir de agora, assédio moral, sobrecarga no trabalho, pressão excessiva e conflitos interpessoais entram no gerenciamento de riscos ocupacionais e a fiscalização deixa de ser preventiva e passa a prever atuações.
“Vai ter uma inspeção da Secretaria Inspeção do Trabalho e eles vão ser autuados, que podem, dependendo da situação, pode chegar de R$ 700 a R$ 7.000”, ressaltou a especialista.
Neste hotel, ações de escuta ativa e acompanhamento emocional dos colaboradores já fazem parte da rotina. “Antes de atender a necessidade do hóspede, nós temos que nos preocupar com o cliente interno, porque ele é o rosto da empresa”, ressaltou o dono do hotel, José Cosme da Costa.
“Com o avanço da tecnologia, com as empresas que estão surgindo para apoiar essa gestão, eles estão ficando agora muito mais seguros”, contou o especialista em bem- estar corporativo, Lilian Machado.
Marizete trabalha há 12 anos como camareira no hotel e tem gostado da experiência que promove um cuidado maior com sua saúde mental. “No trabalho, a gente só fica preocupado com trabalho. Hora que vai terminar, hora que vai acabar, hora que vai começar. Aí quando tem um momentinho assim de paz, às vezes até melhor”, completou a camareira, Marizete Ferreira Botelho.




