EMPRÉSTIMOS

Portabilidade de crédito aumenta concorrência e pode reduzir juros

Correntistas de pessoa física e sem garantia de crédito têm benefício

Consumidores que têm empréstimo bancário já podem pedir a portabilidade de forma digital. A resolução, aprovada pelo Banco Central, permite que o cliente troque de banco e consiga juros mais baixos.

Reportagem de Sidinei Fernandes
Imagens de Gilberto Pereira e Vailton Justino

 

Quando as contas não fecham, muitos brasileiros correm pro banco. “Precisou contrair algum empréstimo?” -”Sim”. “Prestou atenção nos juros? Como é que eram os juros?” 

– “Não, às vezes a gente tá tão desesperado que nem olha”, disse o eletricista, Sandro Gonçalo. E se não pagar no prazo… “O juro dobrado. Você paga ali, você contrata uma assessoria às vezes, mas às vezes é tarde. Você assinou coisas que você nem prestou atenção”, retomou ele. “Teve um tempo que eu tive que atrasar algumas parcelas.”, falou a atendente, Isabela Barbosa. “Por causa dos juros?” – “Sim”. 

E se desse para transferir essa dívida para outro banco que apresentasse uma oferta com juros menores? “Ia facilitar bastante, até porque ia entrar dentro do orçamento, ia estar mais qualificado para pagar e conseguir pagar sem atraso nenhum”, completou ela. 

Na prática, esse tipo de negociação já existe, só que precisa ser feito direto na agência e leva um tempo de 20 a 25 dias. Agora, com a decisão do Banco Central, tudo pode ser feito pelo celular no aplicativo do banco e num prazo bem menor. 

É só entrar na sessão Open Finance, no aplicativo e selecionar trazer ou compartilhar seu histórico financeiro com outro banco. A instituição financeira tem cinco dias úteis para apresentar uma proposta. Se aceita, o novo banco liquida o saldo devedor com o primeiro banco e passa a se relacionar com o cliente. Mas por enquanto, só correntistas pessoa física e com crédito sem garantia podem aderir ao sistema. 

“Ele muitas vezes é usado para cobrir aquela necessidade de caixa que o cliente tem de curto prazo, pagar material escolar dos filhos ou pagar aqueles impostos do começo do ano, pagar a fatura do cartão de crédito por um com um juros menor, ao invés de parcelar diretamente dentro do cartão. E é esta modalidade que o Banco Central agora liberou pelos trilhos do Open Finance, que seja portado de uma instituição a outra”, explicou a diretora administrativa e financeiro da Assistente Open Finance Brasil, Ana Paula Domenici. 

A expectativa do Banco Central é que essa medida aumente a concorrência entre bancos e reduza o peso dos juros. “Esta vantagem do Open Finance, desse banco B te conhecer imediatamente, pode fazer esse banco reagir de uma forma que ofereça você uma taxa menor, conhecendo todo o seu bom histórico que você tem no primeiro banco”, reforçou ela. 

“Hora que você digitaliza esse processo, que é essa proposta do Governo via Open Finance, eu pego, compartilho minhas informações, os bancos têm acesso e eles conseguem colocar uma proposta e fazer toda essa transferência, quitação da dívida com o banco digitalmente. Então isso assim como na telefonia derrubou muito muro e vai trazer muita competição pro setor”, concluiu o economista, Pablo Alencar.

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