FIFA endurece medidas contra as estratégias de retardar o jogo
Vale tudo para segurar o resultado? A FIFA entrou em campo contra a cera e novas regras prometem mudar o tempo de jogo
Confira na reportagem de Alan Toledo e Genilson Pacetti
Quem acompanha futebol já viu a cena. O relógio correndo, o time vencendo e de repente a pressa desaparece. A reposição demora.O goleiro ajeita a bola pela quinta vez e até um simples lateral parece durar uma eternidade. A famosa “cera” virou personagem conhecida do futebol. Uma estratégia que divide opiniões entre quem chama de experiência e quem vê apenas antijogo.
“Fiz bastante, vários jogos que a gente está sofrendo pressão, a gente tem que dar uma segurada, cair e fazer aquela cera”, disse o goleiro Pedro Henrique dos Santos Rocha.
“A cera é mais para tipo dar uma enrolada, ver o que o treinador quer também para dar uma acalmada no time. Se nós estivermos ganhando de 1 a 0, não tem porque ficar correndo, ficar que nem louco”, comentou o lateral esquerdo Pedro Lucas.
Mas a FIFA decidiu que é hora de mudar esse jogo. A International Football Association Board, organização que escreve as leis do futebol há mais de 140 anos, anunciou importantes mudanças nas regras implementadas a partir desta Copa do Mundo.
“Porque hoje em dia você pega os números no final do jogo, de 90 minutos, a bola rolou 46, 47. A gente está falando aí de meio tempo perdido. Então, o público acha ruim, a imprensa acha ruim, o jogador acha ruim, a arbitragem acha ruim também”, comentou o árbitro Vinicius Dias “Tito”.
O que por muito tempo foi tratado como parte da cultura do futebol começa a ser observado com mais rigor. A mensagem é clara: menos tempo de relógio parado e mais bola rolando, o que torna o espetáculo mais justo e dinâmico.
“Eu acho que é em prol do futebol, em prol do jogo mais limpo, podemos dizer assim, com bola mais rolando, que é o que a gente quer ver. Então, isso só vai trazer benefício o futebol”, disse o treinador César Santiago.
Mas e na prática, o que muda? O tiro de meta agora ganha tempo. O arqueiro tem 5 segundos para bater. Ao final da contagem feita pelo árbitro, será dado escanteio para o adversário. Mesmo tempo para os laterais que, em caso de demora, serão revertidos com posse de bola para o adversário. O jogador, a ser substituído, terá 10 segundos para sair de campo após o quarto árbitro erguer a placa, que indica a alteração. A exceção se aplica ao jogador lesionado, que claramente não tem condições de sair de campo. O jogador que receber atendimento médico ficará um minuto fora de campo.
O VAR ganha mais autonomia e a partir da Copa poderá fazer mais duas correções. Quando o árbitro confunde tiro de meta com escanteio e quando o árbitro aplica por engano um segundo cartão amarelo que expulsaria o jogador.
Novidades já entraram em campo nessa Copa e a partir de julho na maioria dos torneios pelo mundo. Para os futuros craques, o jeito é adaptar. “A gente tem que se adaptar de algum jeito ou de outro. A mudança vai atualizando o tempo, vai atualizando as regras. A gente tem que dar um jeito de sempre fazer dentro da regra, mas não daquele jeito encerando tanto”, concluiu o goleiro.




