NA REPÚBLICA TCHECA

Reportagem revela como fé, cultura e poder moldam a cidade de Praga

Confira influência de reis, imperadores, presidentes e escritores na cidadela

Depois de percorrer a Áustria, a nossa série especial “Europa: Memória e Sentido” está chegando ao fim. E a última parada é na República Checa. Gracielle Reis mostra como a fé, a cultura e o poder ajudaram a moldar a identidade de um povo.

Reportagem e imagens de Gracielle Reis
Edição de Leonardo Vieira

 

Com cerca de 70.000 m². O Castelo de Praga impressiona, não apenas pela beleza, mas pela sua imponência monumental. Estendendo-se por 570 m de comprimento, é reconhecido pelo Guinness Book como o maior complexo de castelos do mundo, uma verdadeira cidadela fortificada que começou a ser erguida no século IX. Mais do que um conjunto arquitetônico, este lugar conserva a memória de um povo ao longo de mais de 1000 anos.

Este lugar não é apenas um castelo, é um território onde o poder político espiritual da Boémia se construiu ao longo de mais de 1000 anos. Reis, imperadores e presidentes passaram por aqui e todos deixaram marcas que ainda hoje moldam a identidade deste país.

Dentro dos muros do castelo, a grandiosa Catedral de São Vito testemunha a proximidade entre o poder temporal e o espiritual. A sua torre, com 96 m de altura, domina o horizonte de Praga. Durante séculos, reis da Boémia foram aqui coroados, enquanto relíquias e túmulos de santos e de soberanos recordam que a história desta nação também foi profundamente marcada pela fé cristã. Entre eles está o monumental túmulo em prata de São João Nepomuceno, um dos santos mais venerados da Europa Central e símbolo da fidelidade ao segredo de confissão.

Os quatro pátios principais conduzem o visitante por um verdadeiro percurso através da história. A Basílica de São Jorge, fundada no século X, é uma das construções mais antigas preservadas e guarda memória das primeiras comunidades cristãs da região. Logo ao lado, o antigo Palácio Real revela como o exercício do poder foi sendo transformado ao longo dos séculos, acompanhando as mudanças políticas da Europa Central.

A trajetória deste lugar não foi escrita apenas por reis e imperadores. Na pitoresca Rua Dourada, pequenas casas serviram de moradia para guardas do castelo, artesãos e suas famílias. Séculos depois, uma delas, a casa número 22, acolheu por um período o escritor Franz Kafka, que encontrou nesse ambiente parte da inspiração para sua obra.

Há poucos minutos dali, outro lugar continua a atrair peregrinos do mundo inteiro. A Igreja de Nossa Senhora da Vitória, onde é venerada a imagem do Menino Jesus de Praga. Símbolo da confiança na infância de Cristo, essa devoção atravessou fronteiras e permanece viva na espiritualidade de milhões de fiéis.

Praga preserva a memória de reis, santos, artistas e governantes. Mais do que monumentos, os seus edifícios cantam a história de um povo e revelam como cultura, fé e identidade caminharam juntas ao longo dos séculos.

Num tempo que tudo parece passageiro, lugares como este recordam a importância de conservar as raízes. Porque conhecer a história é também redescobrir o sentido daquilo que nos une e da herança que desejamos transmitir às próximas gerações.

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