Em mensagem ao Movimento Francês de Empresários e Dirigentes Cristãos (EDC), Leão XIV alertou contra lógica produtiva e pediu promoção da dignidade humana
Da Redação, com Vatican News

Foto: Evandro Inetti-ZUMA Press Wire via Reuters
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem ao Movimento Francês e Empresários e Dirigentes Cristãos (EDC), reunido em Lyon, França, por ocasião do centenário da organização. No texto assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, o Pontífice exorta os empresários a focarem no crescimento das pessoas e não apenas no lucro.
Segundo o Santo Padre, em uma época marcada por profundas mudanças e ampla fragilidade social, a contribuição da fé cristã é fundamental, como proximidade espiritual. “Quando a fé é vivida no mundo da economia e dos negócios, gera responsabilidade, criatividade e respeito pela dignidade humana”, afirma.
“Promover o que é humano”
Leão XIV observa que os desafios do trabalho, da paz, da justiça social e da proteção da Criação estão intimamente interligados e requerem um olhar capaz de colher a sua unidade. A partir disso, traça um perfil do “líder cristão” que, embora atue “na dinâmica legítima do mercado”, não tem como objetivo a “simples busca do lucro”, mas compreende o desenvolvimento da economia como uma “comunidade de pessoas chamadas a crescer juntas”.
”O movimento de vocês, nascido e desenvolvido em um espírito ecumênico, testemunha que o Evangelho pode ser fermento de unidade e reconciliação também no mundo econômico”, pontua o Papa. “Nesta perspectiva insere-se o ensinamento da encíclica Rerum Novarum, que convida os empresários a respeitarem a dignidade de cada trabalhador e a protegerem os mais vulneráveis”, complementa.
O Pontífice explica que o papel social de uma empresa não pode, portanto, ser interpretado apenas em termos econômicos, como uma ferramenta de produção ou acúmulo, mas em função de sua capacidade de “promover o que é humano, fortalecer os laços sociais e respeitar a Criação”.
Novas gerações
Voltando o pensamento para a posição das novas gerações no mercado de trabalho, o Santo Padre sinaliza que uma economia nutrida pela fé cristã pode oferecer-lhes confiança, oportunidades e empregos estáveis — um ato de “responsabilidade e esperança, capaz de prevenir a exclusão e a marginalização”.
“Os dirigentes cristãos são, portanto, chamados a promover uma economia, que saiba conjugar eficiência e humanidade, oferecendo aos jovens não apenas trabalho, mas também percursos de crescimento, formação e participação responsável, capazes de gerar um desenvolvimento autenticamente humano”, conclui Leão XIV.




