Celebração presidida pelo cardeal Matteo Zuppi reuniu peregrinos ucranianos na Basílica de São Francisco e reforçou o apelo por uma paz justa e duradoura

O Cardeal Matteo Maria Zuppi / Foto: Reprodução Youtube
Da redação, com Vatican News
Na tarde desta quarta-feira, 11, foi celebrada uma Missa na igreja superior da Basílica de São Francisco de Assis, em Assis, para suplicar o dom da paz na Ucrânia.
Presidida pelo arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana, cardeal Matteo Zuppi, a iniciativa organizada pela Embaixada da Ucrânia junto à Santa Sé contou com a participação de cerca de 70 peregrinos da comunidade ucraniana na Itália. A celebração ocorreu por ocasião da exposição das relíquias de São Francisco de Assis, no contexto do oitavo centenário de sua morte.
Ao acolher os fiéis peregrinos, o Custódio do Sacro Convento, frei Marco Moroni, OFMConv, suplicou que, “por meio desta oração comunitária, enriquecida pela presença de numerosos sacerdotes ucranianos e de muitas pessoas vindas daquela terra ferida, coloquemos nas mãos do Senhor toda a humanidade”.
Pela intercessão de São Francisco, acrescentou o religioso, foi confiada a Deus “a complexa situação que atravessamos em nível global, implorando a paz não apenas para a Ucrânia, mas para todo lugar marcado pela discórdia”.
O apelo do cardeal Zuppi
Em sua homilia, o cardeal Zuppi recordou que, nesses dias, milhares de pessoas puderam reencontrar o espírito do “irmão Francisco”, descobrindo nele uma fonte inesgotável de luz e esperança em uma época marcada por tantas dificuldades.
“São Francisco nos toma pela mão e nos ajuda a olhar a realidade com olhos autenticamente cristãos, convidando-nos a ser irmãos que vão ao encontro de outros irmãos, exatamente como somos chamados a viver todos os dias”, afirmou.
O cardeal prosseguiu lembrando que, ajudados por São Francisco, não devemos ter medo de reconhecer que todos somos irmãos e que toda guerra é fratricida. Segundo ele, o santo de Assis continua a falar após 800 anos não porque oferece soluções técnicas, mas porque sua vida aponta a verdadeira fonte da paz.
Citando Paulo VI, o purpurado convidou todos a se tornarem promotores da paz, recordando que “é falsa a paz imposta apenas pela supremacia do poder e da força. Se queres a paz, trabalha pela justiça”.
“Todo ato de guerra que visa indiscriminadamente destruir cidades inteiras é um crime contra Deus e contra a própria humanidade e deve ser condenado”, afirmou ainda.”
Ao concluir a homilia, Zuppi dirigiu um pensamento especial à Ucrânia, suplicando que “cesse em toda parte o estrondo das bombas, silenciem as armas e se abram espaços de diálogo nos quais se possa ouvir a voz dos povos”.
“Peçamos a coragem de uma paz justa e duradoura e procuremos construir uma mesa de diálogo que garanta uma arquitetura de paz justa para todos”, acrescentou.
O testemunho do embaixador ucraniano
O embaixador da Ucrânia junto à Santa Sé, Andrii Yurash, recordou que este foi o terceiro encontro de oração pela paz na Ucrânia desde o início da invasão russa, agora no quarto ano do conflito.
Segundo ele, momentos como este inspiram e fortalecem a confiança de que a ideia da paz — “uma paz justa e autêntica” — não é algo irreal.
“A paz justa significa justiça”, afirmou. “E a justiça significa a vontade de Deus, porque Deus representa sempre a maior Justiça.”
O diplomata também estendeu o desejo de paz da Ucrânia a todo o mundo, destacando que, em um período marcado por guerras e violações evidentes do direito internacional, a busca pela paz torna-se uma ideia universal, de importância fundamental para toda a humanidade.
Um gesto simbólico ao final da celebração
Ao final da celebração, o embaixador presenteou o cardeal Zuppi e frei Marco Moroni com dois quadros da artista ucraniana Svitlana Dudenko.
As obras, intituladas “Peregrinos de esperança” — que retrata Papa Francisco abrindo a Porta Santa do Jubileu — e “Oração pelo mundo”, evocam simbolicamente o desejo de paz e esperança para a humanidade.
Após a Missa, os fiéis seguiram em procissão silenciosa da igreja superior para a igreja inferior da Basílica de São Francisco de Assis, em Assis, onde rezaram diante do relicário com os restos mortais de São Francisco de Assis.
O próximo momento de oração pelo quarto aniversário do início da guerra na Ucrânia será uma Via-Sacra no dia 15 de março, às 15h, na Basílica de Santa Sofia, em Roma.




