Campanha “Um real, um recomeço” devolve dignidade a pessoas mais necessitadas
A falta de moradia ainda é uma realidade para milhões de brasileiros. Em Belo Horizonte, uma campanha da Arquidiocese busca recursos para transformar esse cenário e oferecer dignidade a famílias em situação de vulnerabilidade.
Reportagem de Vanessa Anício e Daniel Camargo
A vida sem um teto é marcada por incertezas, medo e invisibilidade. Jorge conheceu essa realidade de perto. Natural do Espírito Santo, ele veio para Belo Horizonte fazer uma pós-graduação.
Durante a pandemia perdeu o emprego e com isso a segurança de um lugar para morar. “E você não tem aquela segurança, aquele local que é seu, onde você pode exercer a sua individualidade, a sua privacidade. Então você vai entrar num contexto assim muito de insegurança. E aí vem tanto a insegurança física que você fica com medo de ser roubado, de alguém te violentar, como também aquela insegurança de que, eu tô aqui a qualquer momento, pode vir uma chuva, pode vir um frio, como que eu vou me proteger desse frio, dessa chuva, desse calor?”, desabafou o agente social, Jorge Santana.
Uma realidade que vai além de quem está nas ruas. Segundo um levantamento realizado pela Fundação João Pinheiro, o Brasil possui cerca de 26 milhões de moradias consideradas inadequadas. São casas que muitas vezes não possuem o básico para sobrevivência. Só na região metropolitana da capital mineira, aproximadamente 6.000, das 395.000 moradias inadequadas existentes estão nessa situação.
“Essa é a realidade. São pessoas que não tem onde morar, são pessoas que moram em situações inadequadas e pessoas que tiram da própria alimentação ou da própria subsistência para poder conseguir minimamente garantir o direito à moradia digna para pagar o aluguel”, refletiu a assistente de Projetos VEASPAM, Carla Monteiro França.
Diante deste cenário e em sintonia com o chamado da Campanha da Fraternidade deste ano, a Arquidiocese de Belo Horizonte lançou a Campanha ‘Um real, um recomeço’, que busca garantir moradia digna para famílias em situação de vulnerabilidade.
Para muitos, uma moeda de R$ 1 pode parecer pouco, mas quando se transforma em solidariedade pode ajudar a construir mais do que paredes, pode ajudar a reconstruir histórias e a devolver dignidade a quem mais precisa.
“Essa casa, ela contribui para que a família possa ter condições de criar os seus filhos com dignidade. Essa casa pode contribuir para que crianças, adolescentes e jovens possam ter um lugar para morar com dignidade, para ter todos seus direitos adquiridos para que possam crescer numa sociedade justa e fraterna”, apontou o vigário episcopal VEASPAM da Arquidiocese de BH, padre Roberto Rubens.
Uma contribuição que pode garantir mais do que um teto, mas também a segurança e a possibilidade para recomeçar. Assim como Jorge, que com a ajuda de um projeto social conseguiu sair das ruas, terminar a sua pós-graduação e hoje trabalha pelo bem-estar de quem está na situação que um dia viveu na pele. “E essas conquistas toda pra minha autonomia, pro meu protagonismo, é graças à porta de entrada que foi a moradia”, afirmou Jorge.
“Juntos podemos com pouco construir muito na vida de quem necessita”, completou o padre.




