Dois grupos de Estudo do Sínodo publicaram seus relatórios finais sobre a missão no ambiente digital e a revisão da Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis sobre o dom da vocação presbiteral
Da redação, com Vatican News

Grupos de Estudos durante o Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade / Foto: REUTERS / Remo Casilli
A Secretaria Geral do Sínodo publicou, nesta terça-feira, 3, os dois primeiros Relatórios Finais dos Grupos de Estudo instituídos pelo Papa Francisco após a Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Trata-se do relatório do Grupo de Estudo n. 3 sobre “A missão no ambiente digital” e o do Grupo de Estudo n. 4 sobre “A revisão da Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis numa perspectiva sinodal missionária”.
Leão XIV determinou que os Relatórios Finais fossem tornados públicos para compartilhar com todo o Povo de Deus o fruto da reflexão e do discernimento realizados, concretizando uma das características essenciais da Igreja sinodal: a transparência e a prestação de contas (cf. DF, n. 97).
“Além do valor do conteúdo, esses Relatórios testemunham uma experiência do caminho percorrido junto com os Dicastérios. Não é a primeira vez que os Dicastérios colaboram em um projeto comum, mas aqui há algo mais: um autêntico exercício de escuta, reflexão e discernimento compartilhado. É a sinodalidade posta em prática, não uma simples colaboração burocrática”, afirma o Cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo.
Relatório sobre a missão no ambiente digital
O Relatório aborda uma questão central que surgiu durante a XVI Assembleia: como viver a missão da Igreja em uma cultura cada vez mais moldada pelo digital. A partir de uma ampla consulta que envolveu agentes pastorais, especialistas e realidades eclesiais de todos os continentes, o Grupo de Estudo reuniu experiências, analisou desafios e formulou recomendações concretas.
Entre os temas-chave: a necessidade de integrar a missão digital nas estruturas ordinárias da Igreja; a aprofundamento do conceito de jurisdição territorial à luz das comunidades on-line; a formação dos pastores e agentes pastorais para a cultura digital. O Relatório conclui com uma série de propostas operacionais articuladas em três níveis — Santa Sé, Conferências Episcopais e dioceses — e inclui uma ampla seção sobre a metodologia adotada e as realidades consultadas.
Relatório sobre a formação para o sacerdócio
O Grupo de Estudo n. 4, em vez de proceder a uma revisão da Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis (2016), considerada ainda válida em seus princípios fundamentais, optou por elaborar uma “Proposta de Documento Orientativo” para sua implementação em chave sinodal missionária, à luz das indicações do Documento Final da XVI Assembleia.
O documento divide-se em duas partes. O Preâmbulo traça um quadro eclesiológico-pastoral e identifica uma série de conversões necessárias na formação para o sacerdócio: relacional, missionária, à comunhão, ao serviço e a um estilo sinodal. No centro, uma ideia-força: a identidade do presbítero forma-se “no e a partir do” Povo de Deus, não separadamente dele.
As Linhas-guia, na segunda parte, traduzem essas conversões em pistas operativas concretas. Entre as propostas mais significativas: a alternância entre a permanência no seminário e a residência em comunidades paroquiais ou em outros ambientes eclesiais; experiências e momentos de formação compartilhados com leigos, pessoas consagradas e ministros ordenados desde a etapa preparatória; a inclusão de mulheres preparadas e competentes como corresponsáveis em todos os níveis da formação, inclusive na equipe formativa; a aquisição de competências para a corresponsabilidade e o discernimento comunitário. Por fim, o Grupo apresenta um itinerário para a difusão e implementação das pistas operacionais propostas.
“Os Relatórios finais devem ser entendidos como documentos de trabalho, um ponto de partida e não de chegada. Mas, mesmo sendo documentos de trabalho, já contêm indicações preciosas – como demonstram os Relatórios dos Grupos n. 3 e n. 4 – nas quais as Igrejas locais e as diferentes realidades eclesiais podem inspirar-se desde já. Este é o espírito da sinodalidade: um caminho que não se detém, no qual cada etapa já é geradora. Cabe agora à Secretaria Geral do Sínodo, juntamente com os Dicastérios competentes, traduzir o que emergiu nos Relatórios em propostas operacionais para toda a Igreja, a serem entregues ao Santo Padre”, sublinha o cardeal Grech.
Modalidades de publicação
Os Relatórios Finais são publicados em inglês e italiano, com a indicação da língua original e da tradução de trabalho. Uma síntese, disponível em várias línguas, acompanha cada Relatório para facilitar a consulta. Com a apresentação dos Relatórios Finais, os Grupos de Estudo n. 3 e n. 4 concluem o seu mandato e devem ser considerados dissolvidos.
Nota da Secretaria Geral
Juntamente com o Relatório Final do Grupo de Estudo n.º 3, a Secretaria Geral publica uma Nota que ilustra a origem e o mandato dos Grupos de Estudo, a natureza dos Relatórios e o seguimento operacional previsto.
Próximos passos
A Secretaria Geral publicará os Relatórios Finais progressivamente. A próxima publicação está prevista para a próxima terça-feira, 10 de março. Os Relatórios Finais, as sínteses e a Nota da Secretaria Geral estão disponíveis no site www.synod.va




