No Angelus deste domingo, Leão XIV reflete sobre a revelação da face de Deus, a resposta ao desespero do ateísmo e à solidão do agnosticismo
Da redação, com Vatican News

Leão XIV acena de uma janela do Palácio Apostólico / Foto: Remo Casilli – Reuters
No Angelus deste II domingo da Quaresma, o Papa Leão XIV explicou que a Transfiguração de Jesus antecipa a Páscoa. O episódio é narrado no Evangelho do dia (cf. Mt 17, 1-9).
O Santo Padre explicou que essa passagem do Evangelho “compõe para todos nós uma imagem cheia de luz, narrando a Transfiguração do Senhor”. E para representá-la, “o evangelista mergulha o seu pincel na memória dos Apóstolos, pintando Cristo entre Moisés e Elias”.
“O Verbo feito homem está entre a Lei e a Profecia: ele é a Sabedoria viva, que leva a cumprimento toda a palavra divina. Tudo o que Deus ordenou e inspirou aos homens encontra em Jesus a sua manifestação plena e definitiva”, disse o Papa. Ele explicou que, como no dia do batismo no Jordão, também hoje ouve-se a voz do Pai, que proclama no monte: “Este é o meu Filho muito amado”, enquanto o Espírito Santo envolve Jesus numa “nuvem luminosa”:
“Com esta expressão, verdadeiramente singular, o Evangelho descreve o estilo da revelação de Deus. Quando se manifesta, o Senhor revela a sua excelência aos nossos olhos: diante de Jesus, cujo rosto resplandece ‘como o sol’ e cujas vestes se tornam ‘brancas como a luz’, os discípulos admiram o esplendor humano de Deus. Pedro, Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se exibe como um espetáculo para as multidões, mas como uma solene confidência”.
Leão XIV complementa que a Transfiguração antecipa a luz da Páscoa, “evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria”:
“Com efeito, enquanto o mal reduz a nossa carne a uma mercadoria de troca ou a uma massa anônima, precisamente esta mesma carne resplandece da glória de Deus. O Redentor transfigura assim as chagas da história, iluminando a nossa mente e o nosso coração: a sua revelação é uma surpresa de salvação!”
Diante disso, o Papa questiona: “Deixamo-nos fascinar por ela? O verdadeiro rosto de Deus encontra em nós um olhar de admiração e amor?”:
“Ao desespero do ateísmo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador; o Espírito Santo resgata-nos da solidão agnóstica, oferecendo uma comunhão eterna de vida e graça; diante da nossa fé fraca, está o anúncio da ressurreição futura: eis o que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas para compreendê-lo é preciso tempo. Tempo de silêncio para ouvir a Palavra, tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor.”
“Enquanto experimentamos tudo isto durante a Quaresma – disse ao concluir – peçamos a Maria, Mestra de oração e Estrela da manhã, que guarde os nossos passos na fé”.




