Padre dedicou a vida aos pobres e morreu por fidelidade ao Evangelho
A Igreja celebrou, no último sábado, em Mato Grosso, a beatificação de padre Nazareno Lanciotti. Italiano de origem e missionário por vocação no Brasil, o novo beato entra para a história como o primeiro membro do Movimento Sacerdotal Mariano a chegar aos altares.
Reportagem de Ronaldo da Silva
Imagens de Joelcyo Santana e Marcio Silva
A pequena Jauru no interior de Mato Grosso, próximo à Bolívia, nunca viu tanta gente.
Viveu o dia mais importante de sua história. Fiéis de todo o Brasil e do exterior vieram testemunhar a beatificação de um padre Mmártir que chegou ao então povoado em 1972 e construiu a primeira paróquia, 57 capelas rurais com adoração eucarística diária, hospital, lar para idosos, um seminário menor e escola para as famílias que tinham muitos filhos.
“Ele era do povo, ele trabalhava com os pequenos, ele defendeu quando havia, digamos, dificuldade de segurar os mais pobres aqui, segurar a terra dos mais pobres aqui. Ele teve muita coragem”, contou o enviado papal, Cardeal João Braz de Aviz.
O cardeal João Braz de Aviz foi o enviado papal para presidir a beatificação. No início da celebração, foi lida a carta apostólica do Papa, declarando beato o padre Nazareno Lanciotti e estabelecendo sua festa no dia 12 de janeiro de cada ano.
Em seguida, foram levadas até o altar as relíquias de primeiro grau do beato Nazareno, um fragmento de seus ossos e a imagem do beato. Apóstolo da Eucaristia e do Imaculado Coração de Maria, com essas duas colunas, ergueu um povo na fé, desde as zonas rurais do Mato Grosso até as grandes cidades, através do Movimento Sacerdotal Mariano, do qual se torna o primeiro membro a alcançar a honra dos altares.
Padre Nazareno denunciou crimes como exploração de menores, prostituição e tráfico de drogas. Foi assassinado em 2001 após ser baleado dentro da casa paroquial. A Igreja sustenta que o crime teve motivação pastoral por ódio à fé cristã. “Agora ele está esclarecido isso. Que realmente foi ódio à fé”, retomou ele.
Segundo Dom João Braz, em sua homilia, o novo beato é agora a testemunha qualificada da vida cristã para toda a Igreja e para a humanidade. “Quando se trata de uma causa de beatificação de mártir, normalmente o seguimento da causa é muito rápido”, confirmou o cardeal.
Na presença de religiosos e autoridades, foram abençoadas as relíquias, o túmulo com o quadro do beato e um memorial que conta toda a sua história. “Se temos um padre do nosso presbitério, da nossa diocese, que deu a vida pela missão, pelo Evangelho, então nós precisamos também mirar no seu exemplo, no seu testemunho para sermos bons pastores, segundo o coração de Jesus”, concluiu o bispo da Diocese de São Luiz de Cáceres (MT).



