TRAGÉDIA

Deslizamento em mina na RD Congo deixa mortos e feridos

Tragédia causou o desabamento de várias minas na jazida de extração de coltan de Rubaiyat, área controlada por rebeldes; mais de 200 pessoas morreram

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra um grupo de pessoas trabalhando no resgate de vítimas soterradas por um deslizamento.

Buscas por vítimas em jazida na RD Congo foram atrapalhadas pela chuva / Foto: Reprodução Reuters

Um deslizamento que causou o desabamento de várias minas na grande jazida de extração de coltan de Rubaya deixou mais de 200 mortos A tragédia aconteceu nas áreas da região do Kivu controladas pelos rebeldes do M23, no leste da República Democrática do Congo.

O porta-voz do governador da província do Kivu do Norte nomeado pelos rebeldes, Lumumba Kambere Muyisa, explicou que o desabamento ocorreu na quarta-feira, 28. Contudo, devido às fortes chuvas que fizeram com que muitas vítimas permanecessem enterradas na lama, o balanço de mortos está emergindo apenas agora – e poderá aumentar.

“Por enquanto, contam-se mais de 200 mortos, alguns dos quais ainda estão soterrados na lama e não foram recuperados”, afirmou Muyisa, acrescentando que muitas outras pessoas ficaram feridas e foram transportadas para três unidades de saúde de Rubaya. Ambulâncias deverão transferir os feridos para Goma, a maior cidade próxima, que fica a cerca de 50 quilômetros a noroeste.

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Além dos mineradores de Rubaya, entre os mortos há crianças, empregadas nas escavações, e mulheres que trabalhavam nos mercados. Algumas pessoas foram salvas a tempo e sofreram ferimentos graves.

Domínio rebelde na extração de coltan

O governador nomeado pelos rebeldes suspendeu a atividade minerária e ordenou a transferência dos residentes que haviam construído abrigos próximos à mina. De Rubaya, é produzido cerca de 15% do coltan em nível mundial, que é transformado em tântalo, um metal resistente ao calor procurado por fabricantes de telefones celulares, computadores, componentes aeroespaciais e turbinas a gás.

A jazida, onde a população local escava manualmente, está sob o controle do grupo rebelde M23 desde maio de 2024. Segundo um relatório das Nações Unidas, desde que conquistaram Rubaya, os milicianos do M23 impuseram taxas sobre o comércio e o transporte do coltan, gerando pelo menos 800 mil dólares por mês.

A região do Kivu é, há muito tempo, cenário de conflitos que causaram milhões de deslocados. Entre janeiro e fevereiro de 2025, os rebeldes do M25, acusados por diversas partes de serem apoiados por Ruanda, conquistaram rapidamente as cidades de Goma e Bukavu, respectivamente capitais do Kivu do Norte e do Sul, avançando nas últimas semanas mais ao sul até ameaçar a localidade de Uvira.

A crise no leste congolês, ao longo dos anos, provocou 8 milhões de deslocados, enquanto as tensões das últimas semanas fizeram com que mais de 200 mil pessoas fugissem de Uvira em direção ao vizinho Burundi. Apesar do acordo mediado pelos Estados Unidos entre os governos da República Democrática do Congo e de Ruanda, os combates continuam em diversos pontos da linha de frente, provocando inclusive novas vítimas civis.

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