VISITA PASTORAL

Papa visita monumentos dedicados a migrantes em Lampedusa

Início da visita pastoral realizada neste sábado, 4, foi marcado por gestos: Leão XIV passou por diversos pontos da ilha e se encontrou com o povo

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra o Papa Leão XIV, com suas habituais vestes pontifícias, junto a uma família de migrantes. Eles visitam um monumento intitulado "Porta da Europa", que consiste em um grande pórtico com vista para o Mar Mediterrâneo, presente no fundo da imagem.

Papa Leão XIV visita a Porta da Europa, com vista para o Mar Mediterrâneo, junto a família de migrantes / Foto: REUTERS/Remo Casilli

Iniciando sua visita pastoral a Lampedusa neste sábado, 4, o Papa Leão XIV passou por diversos pontos e monumentos. Todos eles estão diretamente ligados à realidade migratória vivida pela ilha, que é um dos principais pontos de acesso para a Europa por meio do Mar Mediterrâneo.

O Pontífice chegou às 8h54 do horário local após pouco mais de uma hora de viagem. Sua primeira parada foi o cemitério local, onde homenageou os migrantes que morreram durante a travessia deixando flores em um dos túmulos.

No setor dedicado a migrantes, estimativas apontam que estão sepultadas de 40 a 70 pessoas, a maioria não identificada. Ao longo das últimas décadas, muitos migrantes identificados foram transferidos para as suas famílias, enquanto outros foram enterrados em outros locais da Sicília por falta de espaço em Lampedusa.

Memória do Papa Francisco

Em seguida, o Santo Padre foi até a “Porta da Europa”, um monumento criado pelo artista Mimmo Paladino, em 2008, em memória às milhares de pessoas que perderam a vida cruzando o Mar Mediterrâneo. A grande porta é feita de cerâmica e ferro, com cerca de 5 metros de altura, e fica voltada para o mar.

Lá, Leão XIV encontrou uma família de migrantes. Na sequência, dirigiu-se até o promontório, que é uma elevação de rocha que se projeta em direção ao mar. O local pode ser visto por quem chega de barco, representando um memorial às vítimas das travessias marítimas e um convite à reflexão sobre direitos humanos, fronteiras e hospitalidade.

A terceira etapa da visita foi o Cais Favaloro, no Porto Novo de Lampedusa. Uma placa dedica o local ao Papa Francisco, que fez a primeira viagem de seu pontificado, em 2013, a Lampedusa. Leão XIV abençoou a placa e, em seguida, encontrou outro grupo de migrantes, desta vez acompanhados pela Cruz Vermelha.

“O Papa continua a apoiá-los”

Prosseguindo para o Campo Esportivo “Arena”, o Pontífice encontrou os fiéis durante um giro de papamóvel antes da celebração da Missa e última etapa na ilha. Ele foi saudado pelo prefeito Filippo Mannino, que descreveu a visita do Santo Padre como um presente, um gesto fraterno, além de uma responsabilidade naquele “pequeno pedaço de terra em meio ao mar”.

“Lampedusa é o lugar onde tantas pessoas buscaram salvação, dignidade e futuro. Algumas encontraram uma nova perspectiva, outras nunca chegaram: todas elas estão em nossos corações. Nossa comunidade conhece o valor e o peso dessa história”, declarou Mannino.

Ao agradecer a mensagem do prefeito, Leão XIV destacou a calorosa acolhida na ilha, que também continua honrando a passagem do Papa Francisco e o legado deixado para a comunidade e todos os migrantes. “O Papa esteve ao lado de vocês neste período tão difícil”, afirmou, “e hoje estou aqui para lhes dizer que o Papa continua a acompanhá-los, a apoiá-los e a encorajá-los”.

“Não vim para fazer discursos, mas para celebrar a Eucaristia, sinal supremo da presença de Cristo entre nós”, prosseguiu o Pontífice. “É por isso que nos reunimos aqui: para buscar em Cristo o amor que somente Ele pode nos dar, para que o mundo de hoje e de amanhã seja mais humano, mais humano para todos”, concluiu.

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