As dificuldades em resgatar pessoas soterradas após os terremotos na Venezuela se intensificam com o tempo. A falta de maquinário para remover entulhos obriga as equipes de resgate a usarem as próprias mãos. Mesmo assim, a luta pela vida surpreende e emociona pessoas em todo o mundo
Reportagem de Wallace Andrade
Imagens da Reuters
Quarta-feira, 1º de julho, uma semana depois dos dois terremotos que devastaram parte da Venezuela, o bombeiro chileno conversa com um homem soterrado.
“Hernan, mova sua mão mais uma vez como estava movendo. Muito bem, Hernan. Perfeito, perfeito. Agora vou pegar a câmera. Vou retirar da câmera”.
A câmera revela a situação. Hernan Alberto Gil está vivo e preso há sete dias no que sobrou do subsolo de um shopping de nove andares. A falta de equipamento obriga os bombeiros do Chile a abrirem caminho com martelo e talhadeira.
Do momento da localização do venezuelano até a retirada dele, foram mais de 70 horas de tensão. Sob os escombros, o segurança não tinha nem água e nem comida, mas sabia que podia contar com uma grande intercessora, a esposa, que o aguardava lá fora sem perder a esperança.
Rubismar Gonzales, que acompanhava tudo de perto, vibrou com a localização do esposo. “Me sinto feliz, porque me sinto muito feliz e aliviada porque sei que estão com ele lá dentro, estão cuidando muito bem dele e estamos esperando que ele saia”.
A força de vontade de Hernán motiva os bombeiros chilenos que conseguem retirá-lo de uma profundidade de 9 metros. Enquanto Hernane sai para uma nova vida, a esposa define tudo com uma frase. “Suportou tudo como um guerreiro”, completou a esposa.




