REINAUGURAÇÃO

Seis meses depois de incêndio, Casa Restaura-me é reaberta

Onde o fogo deixou marcas, a solidariedade ajudou a construir um novo começo. Em São Paulo, a casa da Comunidade Aliança de Misericórdia completou um mês da retomada das atividades. A recuperação do espaço, ao longo de seis meses, mobilizou muitas pessoas para manter viva essa missão.

Reportagem de Flavio Rogério e Antonio Matos

A máscara usada por Rosângela é apenas um dos sinais da mudança de vida. Ela está em tratamento odontológico graças à acolhida que tem recebido na Casa Restaura-me, na Comunidade Aliança de Misericórdia.

“Entrei no álcool, aí fui morar na rua. Aí uma pessoa que eu conheci me indicou essa casa. Cheguei aqui detonada, comecei a conhecer o pessoal. Graças a Deus fui muito bem acolhida. Melhorou 90%, já estou me sentindo gente novamente”, partilha a auxiliar de cozinha, Rosângela Soares.

A missão na Casa Restaura-me foi interrompida de forma parcial em outubro do ano passado, quando um incêndio destruiu grande parte do espaço. Felizmente não houve vítimas e uma campanha possibilitou a reconstrução do local.

“Nós praticamente vivemos de doações, de pessoas que colaboram”, conta o responsável pela espiritualidade da Casa Restaura-me, padre Luís Fernando. “Muitas pessoas se uniram no desejo de reformar este lugar — é a graça de Deus que de fato pode operar até mesmo em situações difíceis”, ressaltou.

Cerca de sete meses após o incêndio, o espaço foi totalmente reformado e acolhe, por dia, cerca de 500 pessoas em situação de rua. Além de suporte com as necessidades básicas, aqueles que desejarem podem iniciar um processo de restauração.

“Aqui vai desde o serviço básico de alimentação, de banho, de roupas, até o encaminhamento para as casas de acolhida, casas de recuperação. É um trabalho geral, para aqueles que desejam só passar por aqui, mas também para aqueles que desejam uma vida nova”, acrescentou o sacerdote.

Atividades esportivas e atendimento social, jurídico e médico fazem parte da acolhida. Além disso, os cursos profissionalizantes contribuem para a inserção da população de rua no mercado de trabalho. A missionária responsável pela ação social da Aliança da Misericórdia, Vanessa Tinelli, relata a gratidão manifestada por quem foi acolhido.

“Eles são muito gratos: eles saem, conseguem emprego e depois retornam para poder dizer para nós. Essa semana, duas pessoas voltaram para agradecer à casa pela ajuda que foi recebida”, conta a missionária. “Para mim, a Casa Restaura-me se resume em um lugar de acolhimento, dignidade e esperança”, salienta.

É o caso de Cícero, que foi alcoolista e viveu em situação de rua, foi acolhido e, há anos, é quem prepara a alimentação que é servida na casa todos os dias. “Aqui é minha vida. Aqui dentro é que umas pessoas estenderam a mão para mim. Então eu tenho muito carinho pela Aliança de Misericórdia e todos os colegas daqui, que me ajudaram”, expressa o cozinheiro.

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