Dom Luís Marin de San Martin está à frente do órgão para a caridade do Papa há pouco mais de dois meses e apresenta o trabalho do departamento
A prática da caridade está no centro da missão da Igreja Católica, especialmente diante de uma realidade marcada pelo individualismo e pelo sofrimento humano. Com pouco mais de dois meses à frente da Esmolaria Apostólica, Dom Luis Marín de San Martín apresenta o trabalho do departamento da Santa Sé responsável pelas obras de caridade do Papa em várias partes do mundo.
Reportagem de Danúbia Gleisser e Rodrigo Palmeira
Próximo à escultura Jesus sem teto, no pátio da Esmolaria Apostólica, Dom Luís Marin de San Martin fala sobre a missão que recebeu do Papa Leão XIV. O arcebispo agostiniano foi escolhido como novo esmoleiro pontifício, responsável pela caridade do Papa junto aos mais pobres.
Ele afirma ser grato pela confiança do Pontífice. O esmoleiro diz que nesse novo caminho tem descoberto o rosto do sofrimento humano e sentiu crescer o compromisso de dar o melhor de si no serviço direto aos pobres.
A Esmolaria Apostólica é o organismo da Santa Sé encarregado de exercer a caridade em nome do Papa. A missão existe desde os primeiros séculos da igreja e hoje coordena iniciativas de assistência dentro e fora da Itália. Entre as ações mais conhecidas está a emissão da bênção apostólica em Pergaminho. As contribuições recebidas ajudam diretamente nas obras sociais mantidas pelo Dicastério.
De acordo com Dom Luís, desde a Constituição Apostólica Predicate Evangelium, a esmolaria passou a ser oficialmente o dicastério, ou seja, o departamento para o serviço da caridade. No Vaticano, o atendimento inclui banhos para pessoas em situação de rua, assistência médica, acolhimento e refeições. O trabalho conta com a colaboração de diáconos da diocese de Roma, nas periferias da capital italiana.
“Há também o aspecto caritativo internacional”, declara o arcebispo ao afirmar que a atuação vai além das fronteiras italianas. O departamento envia ajuda para regiões marcadas pela guerra e pela pobreza, como Ucrânia, Gaza, Líbano e países africanos.
Segundo Dom Luís, a missão é sustentada pelas nunciaturas apostólicas espalhadas pelo mundo e pela colaboração de voluntários.
Ao conviver com pobres e marginalizados, o esmoleiro diz ter a própria fé renovada.
Para ele, a caridade não é apenas assistência material, mas um encontro concreto com Cristo presente nos que sofrem.
Dom Luís disse que essa missão tem ajudado sua vocação cristã e sacerdotal, pois pode ver além, pode olhar nos olhos, tocar o coração, estar com os pobres e no rosto deles encontrar a Cristo, finalizou.




