Organismos eclesiais, entidades sindicais, movimentos populares, empresas e universidades pensam ações relacionados à questão social e ambiental
Da redação, com CNBB

Dom Leonardo durante o IV Encontro Sinodal Fratelli Tutti: diálogo socioambiental Norte-Sul / Foto: ADN Celam
A Igreja Católica segue abrindo frentes de diálogo para promover e resguardar a dignidade da pessoa humana e o cuidado com a Casa Comum. À luz das encíclicas Fratelli Tutti, do Papa Francisco, e Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, acontece em Roma um encontro que reúne organismos eclesiais, entidades sindicais, movimentos populares, representantes de empresas e universidades para pensar em ações e acordos relacionados à questão social e ambiental.
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O IV Encontro Sinodal Fratelli Tutti: diálogo socioambiental Norte-Sul é realizado entre os dias 10 e 12 de setembro, na Casa Geral de La Salle, em Roma, e busca consolidar um espaço de diálogo entre atores das Américas do Norte e do Sul com especial atenção para a realidade do trabalho, da transição ecológica e dos novos desafios frente às novas tecnologias. O encontro é promovido pelo Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho (Celam), pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB) e a Pontifícia Comissão para a América Latina e continua um processo iniciado em 2023, com etapas em Bogotá e Washington. A conclusão deste momento em Roma será com uma audiência com o Papa Leão XIV.
Sonhos que nos unem
O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, é um dos participantes. Como presidente do Conselho Episcopal Latino Americano e Caribenho, dom Jaime abriu a entrevista coletiva realizada na Sala de Imprensa da Santa Sé, na manhã desta sexta-feira, 11, e partilhou seus anseios para essa mobilização.
“Nesses tempos complexos da nossa história, devemos juntas as melhores forças de nossas sociedades do Norte e do Sul para nos escutarmos mutuamente e descobrirmos os sonhos que nos unem para ver possível um mundo melhor para todos e todas”, afirmou o cardeal Spengler.
Para ele, o processo sinodal pode oferecer à Igreja uma metodologia para gerar espaços de escuta e diálogo capazes de responder às crises que atravessam a humanidade. Neste contexto, de crise ambiental, de dilemas econômicos, políticos e sociais apresentados pela Inteligência Artificial, “é urgente reunir as melhores vozes de homens e mulheres comprometidos com a busca de caminhos para um futuro digno e justo para todos e todas”, ressaltou o presidente do Celam.
Responsabilidade compartilhada
A secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina, Emilce Culda, destacou que este processo de diálogo que o encontro iniciou deve conduzir a uma agenda de responsabilidade compartilhada, baseada no diálogo social a partir da perspectiva católica, e que coloca na mesma mesa setores organizados de trabalhadores e empresários para debater em vista de soluções eficazes frente à crise socioambiental. Seis projetos traduzem essa agenda em ações práticas de formação, pesquisa, articulação e diálogo.
Solidariedade global
O bispo de Jales (SP) e coordenador da Rede do Trabalho Organizado do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), dom Reginaldo Andrietta, destacou o diálogo entre a América Latina, o Caribe e a América do Norte como uma via para construir pontes, promover a paz e responder juntos aos desafios sociais e ambientais.
Para o bispo, o processo que se desenvolve no âmbito do IV Encontro Sinodal tem como propósito ampliar essa perspectiva para uma integração de todas as Américas. “Estamos dando passos e avançando também em um diálogo com a América do Norte, todas as Américas, pois, construindo pontes de unidade”, observou.
Essa integração, explicou, pode constituir uma contribuição em um mundo que enfrenta desafios que já não podem ser enfrentados de maneira isolada. Diante da globalização e de fenômenos como o individualismo, a indiferença e uma visão exclusivamente tecnocrática, é necessário recuperar uma perspectiva centrada na pessoa e nas relações sociais.
A partir deste processo, dom Reginaldo propôs construir um humanismo inspirado em uma ética cristã e na cultura do encontro promovida pelos últimos pontífices. Para o bispo, essa cultura do encontro está intimamente relacionada com a convergência e com a busca da paz em contextos atravessados por conflitos.
Ele também destacou o princípio da solidariedade, presente na Doutrina Social da Igreja: “Estamos em um caminho de construção de uma solidariedade global contribuindo com o que o Papa Leão deseja: uma cultura de convergência, uma cultura de paz que significa também construir relações de equidade, portanto de justiça”, sublinhou.
Indígenas e Povos da Floresta
Outro brasileiro presente na coletiva foi o arcebispo de Manaus (AM) e presidente da Conferência Eclesial da Amazônia, cardeal Leonardo Steiner. Ele recordou os povos indígenas e os povos da floresta que foram incluídos nas escutas sinodais e que apresentam como contribuição para o cenário atual a compreensão de que a dignidade da pessoa humana está conectada à dignidade da natureza, o que exige atenção no cuidado e cultivo da terra, o que deve ser feito em vista do bem comum.
“A ecologia integral com Laudato Si’ e depois com Fratelli Tutti abriu um horizonte que não podemos esquecer. Esse horizonte deve iluminar não apenas a relação da Igreja com o meio ambiente, mas também sua maneira de viver e de anunciar o Evangelho”, destacou o cardeal recordando os documentos do Papa Francisco.




