Segundo Relatório sobre Liberdade Religiosa no Mundo, 14 das 48 nações representadas na Copa do Mundo de 2026 têm alguma restrição à liberdade de crença
Da Redação, com ACN

Cobertura do Estádio Azteca, no México, foi preenchida com bandeiras de países do mundo todo / Foto: Reprodução Reuters
Em meio à disputa em campo nos jogos da Copa do Mundo de 2026, uma outra realidade preocupante chama a atenção: a falta de liberdade religiosa em diversas nações participantes.
Segundo o mais recente Relatório sobre Liberdade Religiosa no Mundo, da Pontifícia Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), dos 48 países que participam do torneio, 14 enfrentam restrições à liberdade de religião ou de crença. Destes, três enfrentam situações de perseguição religiosa (Irã, Arábia Saudita e RD Congo), enquanto outros 11 registram níveis significativos de discriminação (México, Haiti, Marrocos, Tunísia, Argélia, Jordânia, Catar, Egito, Turquia, Iraque e Uzbequistão).
No Irã e na Arábia Saudita, sistemas legais baseados no Islã limitam severamente a liberdade religiosa, especialmente para convertidos e membros de comunidades não reconhecidas oficialmente. Quem desafia essas restrições corre o risco de prisão, encarceramento e, em alguns casos, até mesmo da pena de morte.
Por sua vez, a RD do Congo enfrenta instabilidade política e violência. Além disso, o crescimento das ações jihadistas promovidas pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF) no leste do país agravou ainda mais a situação das comunidades locais.
Diversos fatores levam à discriminação
Em relação aos países onde há níveis significativos de discriminação religiosa, o México tem como principais riscos o crime organizado e o narcotráfico. Em diversas regiões, grupos criminosos atacam sacerdotes, líderes religiosos e agentes pastorais para ampliar sua influência sobre as comunidades. No Haiti, gangues armadas controlam grande parte do território do país, sequestrando e assassinando líderes religiosos, além de dificultarem o trabalho das igrejas e das organizações ligadas à fé.
No Uzbequistão, são as autoridades que mantêm controles rigorosos sobre as atividades religiosas. Como consequência, pessoas de diferentes crenças, inclusive integrantes da maioria muçulmana, encontram limitações para exercer livremente o culto e expressar sua fé. No Iraque, também há graves episódios de perseguição.
Por fim, os outros países mencionados registram restrições à liberdade de crença. Nesses países, cristãos, bahá’ís e até algumas comunidades muçulmanas enfrentam diferentes níveis de discriminação. Em muitos casos, a pressão social pesa mais do que as próprias limitações legais.
Valores do esporte
Segundo a diretora do Centro de Estudos sobre Liberdade Religiosa da ACN e editora-chefe do Relatório sobre Liberdade Religiosa no Mundo, Marta Petrosillo, a Copa do Mundo representa uma oportunidade importante para chamar atenção para a situação de países onde a liberdade religiosa está ameaçada.
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“A Copa do Mundo reúne pessoas de todas as culturas, religiões e nações”, pontua Petrosillo. Um exemplo positivo, nesse sentido, pode ser a seleção do Iraque, que se tornou um símbolo de unidade, mesmo com graves episódios de perseguição no país. A equipe reúne representantes de diferentes grupos étnicos e religiosos, incluindo árabes, curdos, xiitas e sunitas. Além disso, quatro jogadores são cristãos.
Segundo a diretora, embora os torcedores apoiem diferentes seleções nacionais, a Copa do Mundo também recorda os valores que unem a humanidade: o respeito pela dignidade humana e pela liberdade de religião ou crença.
Dessa forma, a Copa do Mundo vai além do esporte. O torneio reúne povos e culturas diferentes, mas também oferece uma oportunidade para refletir sobre direitos fundamentais que ainda não alcançam milhões de pessoas em diversas partes do mundo.




