Ao celebrar dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, Cardeal Makrickas refletiu como “milagre da neve” recorda a misericórdia de Deus, que cobre a humanidade
Da Redação, com Vatican News

Tradicional “nevada” repetiu-se durante a celebração / Foto: Reprodução Basílica de Santa Maria Maior no Instagram
A celebração da dedicação da Basílica de Santa Maria Maior “preserva uma verdade profunda”: Deus preparou uma morada para Maria, a fim de continuar a habitar, por meio dela, no meio de seu povo. Foi o que disse o Cardeal Rolandas Makrickas ao celebrar a Solenidade de Nossa Senhora das Neves nesta quarta-feira, 5.
Em sua homilia, o cardeal arcipreste da basílica recordou que, segundo a tradição, em 5 de agosto do ano de 538, “caiu uma neve no Monte Esquilino, em pleno verão romano”, indicando ao Papa Libério e ao patrício João o local onde seria construída a primeira igreja dedicada a Nossa Senhora.
Foi a própria Virgem Maria que, aparecendo aos dois em sonho, pediu a construção de uma igreja em sua honra, no local que ela milagrosamente indicaria. Por essa razão, o milagre é comemorado todos os anos, sendo “reproduzido” com uma chuva de pétalas brancas caindo do alto — e que mais uma vez se repetiu na basílica.
“Nevada” é sinal da misericórdia de Deus
O Cardeal Makrickas reiterou que a tradicional “nevada” não é simplesmente uma reconstituição histórica ou folclórica. “Essas pétalas caindo lentamente do teto parecem nos dizer que a graça de Deus continua caindo silenciosamente sobre o mundo. A neve, branca e inesperada no coração do verão romano, torna-se o símbolo da generosidade do amor divino, que surpreende a humanidade e torna fértil o que parecia árido”, expressou.

O arcipreste da basílica, Cardeal Rolandas Makrickas, presidiu a celebração / Foto: Reprodução Basílica de Santa Maria Maior no Instagram
Segundo o arcipreste, a misericórdia de Deus, por meio de Maria, deseja cobrir as feridas de esperança, purificar os corações e renovar a vida da Igreja. As pétalas que caem lentamente recordam como Deus entra na vida dos homens não pela força, mas pela gentileza; não se impondo, mas se oferecendo.
E é justamente este o estilo de Maria, prosseguiu o religioso, que a definiu como “a mulher do silêncio e da humildade, por meio de quem Deus fez ‘grandes coisas’ por toda a humanidade”.
Pedras vivas da Igreja de Cristo
Olhando para o presente, o Cardeal Makrickas afirmou que “a verdadeira ‘neve’ que somos chamados a esperar todos os dias” é “uma chuva silenciosa de graça que transforma nossos corações”. “Cada Eucaristia, neste sentido, é uma nova neve de verão; cada ato de misericórdia é uma pétala que cai do céu; cada gesto de perdão torna presente aquela nova Jerusalém mencionada no Apocalipse, na qual Deus habita definitivamente com o seu povo”, pontuou.
O arcipreste também citou o Papa Francisco, que várias vezes visitou a basílica para rezar diante do ícone da Salus Populi Romani. “Ele nos ensinou que o estilo do Senhor é de proximidade, compaixão e ternura”, enfatizou. A neve de agosto e as pétalas de rosa parecem tornar visível a ternura divina, que continua a pousar-se no caminho da Igreja e sobre toda a família humana.
Por fim, o religioso assinalou que esta celebração litúrgica recorda que Deus escolheu habitar entre os homens. “Nós também somos chamados a nos tornar ‘morada de Deus'”, concluiu o cardeal, encorajando os fiéis a pedirem a Deus para serem pedras vivas da Igreja de Cristo.




