Em mensagem ao padre Gabriel Romanelli, Leão XIV manifestou pesar pela morte de duas cristãs após ataque israelense atingir um edifício residencial
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV /Foto: REUTERS/Matteo Minnella
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem ao padre Gabriel Romanelli, pároco da Sagrada Família, em Gaza, após um ataque israelense atingir um edifício residencial no bairro de Rimal, na região oeste da Cidade de Gaza, no sábado, 3.
O ataque deixou cinco civis mortos e vários feridos. Entre as vítimas estavam Maysa Khader Ibrahim Abu Daoud e sua filha, Mary Hafez Michel Najjar, de origem greco-ortodoxa e integrantes da comunidade cristã local. As duas haviam encontrado recentemente um novo refúgio em meio ao conflito.
“Até quando, Senhor?”
Na mensagem enviada ao padre Romanelli e posteriormente divulgada pelo sacerdote, Leão XIV manifestou pesar pelas mortes e assegurou suas orações pelas famílias e pela população de Gaza.
“Bom dia, padre Gabriel. Desde que tomei conhecimento da dolorosa notícia da morte de Maysa e Mary, rezo a Deus por elas, por suas famílias e por toda a comunidade de Gaza. Até quando, Senhor? Obrigado pelo apoio à paróquia e a tantas pessoas que desejam viver em paz. Bênçãos e um abraço afetuoso.”
O Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, também manifestou condolências, em nome do clero e de toda a diocese, pela morte das duas mulheres. Maysa e Mary foram recordadas ainda pelo metropolita Alexios, vigário patriarcal greco-ortodoxo, durante os funerais celebrados no próprio sábado, na Igreja de São Porfírio, na Cidade de Gaza.
Situação humanitária permanece grave
A situação na Faixa de Gaza continua marcada pela precariedade e pelos ataques em áreas densamente povoadas. Segundo informações do hospital Al Shifa, os feridos no bombardeio de sábado foram levados à unidade em estado grave.
O Exército israelense afirmou que a operação tinha como alvo integrantes ou estruturas ligadas ao Hamas. O ataque, no entanto, também atingiu civis no bairro de Rimal, uma das regiões da Cidade de Gaza fortemente afetadas pelo conflito.
Em meio à crise, a paróquia da Sagrada Família e as Missionárias da Caridade continuam prestando assistência à população e acolhendo pessoas deslocadas.
Pizzaballa: trauma ainda não foi superado
Às vésperas de mais um aniversário dos ataques de 7 de outubro de 2023, o Cardeal Pizzaballa avaliou a situação de israelenses e palestinos em entrevista ao jornal italiano La Repubblica.
Segundo o Patriarca Latino de Jerusalém, os dois povos ainda enfrentam as consequências do trauma provocado pelo conflito. “Ainda não superamos aquele dia. Ambos os povos, israelenses e palestinos, estão imersos nesse trauma profundo e não resolvido.”
Pizzaballa observou que, embora a intensidade da guerra tenha diminuído em comparação aos períodos mais críticos, as condições humanitárias permanecem extremamente difíceis. “Do ponto de vista da guerra, a situação está um pouco melhor: ela não acabou, mas não estamos mais na guerra total como antes. Do ponto de vista da vida cotidiana e da situação humanitária, talvez esteja até pior do que antes”, frisou.
De acordo com o cardeal, problemas que antes ficavam em segundo plano diante da intensidade dos ataques agora se tornam mais evidentes. A reconstrução ainda não começou e as condições de vida da população não apresentaram melhora significativa.
Inverno aumenta preocupação
A proximidade do inverno também preocupa o Patriarcado Latino de Jerusalém, especialmente devido às condições das famílias que vivem em abrigos improvisados. “As chuvas serão um problema enorme para todos aqueles que vivem em barracas”, afirmou Pizzaballa.
Em meio às dificuldades, a reabertura da escola da paróquia de Gaza tornou-se, segundo o cardeal, um sinal de esperança para a comunidade. “Reabrir era um sinal importante a ser dado. O sinal de que, apesar de todas as dificuldades, queremos recomeçar: não desistimos. Houve muita alegria naquele dia, todos choravam.”
Perspectivas para a região
Pizzaballa também comentou as perspectivas políticas para israelenses e palestinos. Questionado sobre os processos eleitorais previstos para a região, o Patriarca adotou uma postura cautelosa quanto aos possíveis impactos sobre o futuro do conflito.
“Não sei se, a partir desses votos, poderemos realmente entender para onde estamos indo. Mas certamente serão um momento importante para avaliar até onde as atuais lideranças levaram seus povos”, afirmou.




