Pastoral dos Migrantes

41ª Semana do Migrante reforça apelo por moradia digna e acolhida

Até o próximo domingo, iniciativa promovida pela Pastoral dos Migrantes debate o acesso à habitação e os desafios enfrentados por quem busca reconstruir a vida longe de sua terra de origem

Da Redação, com CNBB

Ilustração mostra uma família migrante abrigada sob uma estrutura de proteção durante a chuva. A cena retrata uma mulher grávida, uma criança, um homem, uma idosa e um cachorro ao lado de malas e pertences, simbolizando a busca por segurança, acolhida e moradia diante da vulnerabilidade causada pelo deslocamento.

Família migrante busca abrigo e proteção em meio à chuva, em ilustração sobre acolhida e direito à moradia da 41ª Semana do Migrante /Imagem: Divulgação CNBB

Acontece até o próximo domingo, 21, nas comunidades de todo o país, a 41ª Semana do Migrante. Promovida pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a edição deste ano traz como tema “Migração e Moradia” e o lema “Eu não tenho onde morar!”.

A mobilização está em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026, que tinha como tema “Fraternidade e Moradia”. O objetivo da semana é convidar a Igreja e a sociedade civil a refletirem sobre a habitação não apenas como uma necessidade, mas como um direito fundamental e uma expressão concreta de acolhida. A iniciativa reforça o convite para que a sociedade brasileira veja a moradia não como mercadoria, mas como um direito.

O SPM chama a atenção para a vulnerabilidade de migrantes, refugiados, apátridas e deslocados que, ao buscarem recomeçar a vida em novas cidades, encontram barreiras no acesso a condições dignas de habitação. O texto-base deste ano destaca um contraste crítico: o país enfrenta um déficit habitacional de cerca de 6 milhões de moradias, conforme levantamento da Fundação João Pinheiro em parceria com o Ministério das Cidades e o IBGE. A campanha estabelece um paralelo entre essa realidade e as Escrituras.

Precariedade habitacional não é um problema isolado

De acordo com a análise de Ozania da Silva, da coordenação colegiada do SPM, a precariedade habitacional não é um problema isolado, mas o eixo central de um ciclo de exclusão que afeta a sobrevivência e a dignidade humana. “A incerteza habitacional gera estresse, o que pode agravar problemas de saúde mental e emocional, violência baseada em gênero e a separação de núcleos familiares. Os refugiados frequentemente vivem em coabitação extrema ou moradias inadequadas, compartilhando o mesmo espaço com muitas pessoas, o que compromete a dignidade humana”, afirmou.

A pastoral aponta que o cenário de déficit habitacional é agravado pelo ônus excessivo com o aluguel, que atinge sobretudo as famílias empobrecidas. Isso força a maioria dos migrantes e refugiados a comprometer a maior parte de sua renda apenas para não viver nas ruas. Como consequência, essa população é empurrada para as periferias ou ocupações precárias, perpetuando uma lógica de mercado que prioriza o lucro sobre a vida.

Mobilização e materiais de apoio

A 41ª Semana do Migrante propõe uma programação diversa, que abrange desde celebrações litúrgicas até ações de incidência política. O SPM incentiva a realização de rodas de conversa baseadas no método “ver, discernir e agir”, momentos culturais e audiências públicas para ampliar o debate sobre direitos humanos e o combate à xenofobia e ao racismo.

Para apoiar a mobilização, o SPM disponibiliza materiais de formação, incluindo o texto-base, roteiros para rodas de conversa e um roteiro litúrgico para o Dia Nacional do Migrante, celebrado este ano em 21 de junho. O material conta com sugestões de preces, homilias e espaço para depoimentos de pessoas migrantes. Todos os recursos estão disponíveis em formato digital para download.

Papa Leão ressalta dignidade de migrantes

Durante sua viagem à Espanha (concluída na última sexta-feira, 12), mais especificamente nas Ilhas Canárias, o Papa Leão XIV destacou a dignidade dos migrantes atendidos pelas organizações da região. Para o Pontífice, eles não são números nem processos administrativos, mas “pessoas com uma família e uma casa deixada para trás; com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar”.

Leão também frisou a proteção das vidas dos migrantes: “cada vida humana é uma bênção de Deus. Ninguém pode comprá-la, vendê-la, usá-la ou descartá-la, porque em cada pessoa resplandece a imagem e semelhança do Criador (cf. Gn 1, 27)”.

Em seu discurso, ele também alertou que o drama dos migrantes, especialmente os que se arriscam no mar em embarcações precárias, deve se tornar um exame de consciência: “[…] para as nações de origem, que devem criar condições de paz, justiça e desenvolvimento; para as nações de passagem, chamadas a proteger e a não deixar os mais fracos nas mãos de redes criminosas; para a Europa, que não pode proclamar a dignidade humana e habituar-se a que o Mediterrâneo e o Atlântico sejam cemitérios sem lápides; para a comunidade internacional, chamada a uma cooperação eficaz e perseverante”.

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