CUIDADO COM OS MIGRANTES

Papa: a missão de Santa Cabrini junto aos migrantes continua urgente

Durante uma visita ao local de nascimento de Santa Francisca Xavier Cabrini, Leão XIV recordou seu serviço aos migrantes à Igreja no mundo contemporâneo

Da redação, com Vatican News

Leão XIV discursa para a multidão em frente à catedral durante uma visita pastoral em Pavia / Foto: Sipa USA via Reuters Connect

Retornando à terra natal de uma das missionárias mais célebres da Igreja, o Papa Leão XIV homenageou Santa Francisca Xavier Cabrini neste sábado, 20, apresentando sua vida e legado como um modelo para enfrentar um dos maiores desafios do mundo moderno: a migração.

A visita do Papa a Sant’Angelo Lodigiano, uma pequena cidade lombarda ao sul de Milão, fez parte de sua viagem pastoral à vizinha Pavia. A visita teve um significado simbólico especial. Foi ali, em 1850, que Francesca Cabrini nasceu, antes de embarcar em uma vida missionária que a levaria através do Atlântico e, finalmente, a Chicago, onde faleceu em 1917. Canonizada em 1946, tornou-se a primeira santa dos Estados Unidos e, posteriormente, foi nomeada Padroeira dos Migrantes.

Durante um momento de Adoração Eucarística e veneração da relíquia do coração de Cabrini na Igreja de Santo Antônio Abade e Santa Francisca Cabrini, o Papa Leão XIV refletiu sobre a relevância duradoura da santa para a Igreja nos dias de hoje. “Estou aqui para prestar homenagem à Madre Cabrini”, disse o Papa aos fiéis reunidos na igreja, saudando as autoridades civis e religiosas locais, incluindo o Bispo Maurizio Malvestiti de Lodi.

Ligação com Chicago

Santa Cabrini passou os últimos anos de sua vida em Chicago, cidade natal do Papa Leão XIV. Recordando essa ligação, ele agradeceu ao povo de Sant’Angelo Lodigiano pela calorosa acolhida e elogiou o profundo afeto que a Igreja local sempre demonstrou pelo Sucessor de Pedro — um afeto que a própria Cabrini personificava por meio do que ele descreveu como sua singular devoção e obediência ao Papa.

Quando jovem religiosa, Cabrini sonhava em se tornar missionária na China, inspirada por São Francisco Xavier. Contudo, quando buscou orientação do Papa Leão XIII sobre o futuro das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, a resposta foi inesperada. Em vez de enviá-la para o Oriente, o Papa instruiu-a a ir “não para o Oriente, mas para o Ocidente”.

Naquela época, milhões de italianos deixavam sua terra natal em busca de um futuro melhor no exterior, particularmente nas Américas. Encorajada por Leão XIII e por São João Batista Scalabrini, outro grande apóstolo dos migrantes, Cabrini reconheceu nesse movimento de povos um dos grandes desafios pastorais de sua época.

Lendo os sinais dos tempos

O Papa Leão XIII descreveu essa decisão como um profundo exemplo de leitura dos “sinais dos tempos”. Cabrini compreendeu que suas aspirações missionárias se realizariam não onde ela havia imaginado inicialmente, mas onde a necessidade fosse maior.

Voltando sua atenção para o contexto atual, o Papa observou que a migração continua sendo uma das realidades mais prementes que as sociedades e a Igreja enfrentam, embora de uma forma muito mais complexa do que na época de Cabrini.

“Se Madre Francisca estivesse vivendo hoje”, perguntou ele, “o que diria sua alma missionária? O que o Coração de Cristo diria ao seu coração?”

A resposta, continuou ele, reside na fonte espiritual que animava todos os aspectos da vida de Cabrini: o amor de Cristo revelado em Seu Sagrado Coração.

O Papa recordou que o Papa Francisco dedicou sua última encíclica, Dilexit Nos, ao amor humano e divino manifestado no Coração de Jesus. Essa mesma devoção, disse ele, foi a força motriz por trás da extraordinária atividade missionária de Cabrini. Suas inúmeras viagens, escolas, hospitais, orfanatos e instituições de caridade não foram simplesmente obras sociais, mas expressões de um profundo encontro com o amor de Cristo.

O Coração de Jesus

O Papa também fez referência à sua própria exortação apostólica Dilexi Te, na qual destacou o testemunho de Cabrini ao lado do de São João Batista Scalabrini. Citando as próprias palavras do santo, ele recordou sua convicção de que “nenhuma obra seria difícil demais, nenhuma terra distante demais e nenhuma pessoa ferida demais” por amor ao Coração de Jesus.

Diante da relíquia do coração de Cabrini, trazida da casa-mãe da congregação na vizinha Codogno, o Papa sugeriu que seu carisma permanece surpreendentemente relevante em uma época marcada por deslocamentos, fragmentação social e novas formas de pobreza.

“O que poderia ser mais oportuno do que um carisma missionário dedicado ao serviço dos migrantes?”, perguntou o Pontífice.

Apelo aos jovens

O Papa também dirigiu um apelo especial aos jovens, incentivando-os a descobrir Cabrini através de seus escritos, cartas e diários de viagem. Aqueles que se depararem com sua história, disse ele, inevitavelmente se verão cativados por uma mulher que uniu contemplação e ação de maneira extraordinária.

Profundamente enraizada na oração e imersa no amor de Cristo, Cabrini desenvolveu uma notável capacidade de trabalho e perseverança. Sua vida, observou Leão XIV, refletiu o lema paulino adotado por sua congregação: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

O testemunho duradouro de Cabrini

Dirigindo-se à Igreja local de Lodi, o Papa expressou a esperança de que ela continue a refletir as virtudes personificadas por sua filha mais famosa: amor a Cristo, zelo missionário, generosidade para com os pobres e fidelidade ao Evangelho.

O Sucessor de Pedro também relacionou o testemunho de Cabrini ao compromisso da Igreja com a sinodalidade, encorajando os católicos a caminharem juntos em unidade, recorrendo aos diversos dons e ministérios presentes na comunidade cristã.

Ao concluir seu discurso, Leão XIV ofereceu uma oração pelas Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, a congregação fundada por Cabrini em 1880 e hoje ativa em todo o mundo. Ele exortou toda a Igreja a olhar para a santa como um exemplo de como servir ao Reino de Deus em meio à história.

Mais de um século após sua morte, sugeriu o Papa, a mensagem de Cabrini permanece inalterada. Em um mundo ainda marcado pela migração, incerteza e sofrimento humano, a resposta da Igreja deve continuar a começar onde a dela começou: no amor transformador do Coração de Cristo.

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