CRISE HUMANITÁRIA

Vim em busca de um futuro melhor, afirma imigrante marroquina

Com relatos de dezenas de mortes, a crise na fronteira entre o Marrocos e Espanha expõe o desespero de trabalhadores em busca de melhores condições de vida na Europa

Da redação, com Reuters

“Vim aqui em busca de um futuro melhor”, diz marroquina que se juntou a uma multidão perto da fronteira com Ceuta / Foto: Reprodução Reuters

Pessoas se reuniram em Fnideq, no Marrocos, nesta sexta-feira, 31; algumas descansavam, enquanto outras caminhavam em ambas as direções — saindo da fronteira com o enclave espanhol de Ceuta ou indo em direção a ela.

“Vim aqui em busca de um futuro melhor… Trabalho como garçonete, mas o salário que recebo não é suficiente; como cuido dos meus pais e tenho uma filha, preciso encontrar oportunidades melhores. Que Deus nos ajude”, disse Dounia Kherradi, uma garçonete marroquina de Lqliaa, perto de Agadir.

A Espanha informou na sexta-feira que havia revertido uma enorme onda de migração em direção a um enclave espanhol no Norte da África, com milhares de pessoas que haviam cruzado a fronteira por terra e mar já retornando voluntariamente.

Forças marroquinas repeliram multidões com cassetetes e gás lacrimogêneo nos portões de Ceuta, tentando impedir que mais pessoas invadissem o pequeno território espanhol, que se projeta a partir do Marrocos em uma faixa de areia rumo ao Mediterrâneo.

O Ministério do Interior da Espanha informou que cerca de 50 mil pessoas haviam cruzado a fronteira desde a manhã de quinta-feira (31 de julho) e estimou que cerca de 25 mil já haviam dado meia-volta e retornado.

Juan Jesús Vivas, chefe do governo local de Ceuta, afirmou que até 60 mil pessoas haviam atravessado a fronteira e que 34 haviam morrido. Anteriormente, autoridades espanholas haviam relatado a descoberta de 19 corpos na água.

A invasão em massa da fronteira gerou divisão na Europa, onde líderes de outros países da UE pediram que a Espanha garantisse a contenção do incidente. Partidos de direita de todo o continente atribuíram o ocorrido às políticas migratórias comparativamente brandas da Espanha, incluindo uma anistia concedida este ano a centenas de milhares de migrantes em situação irregular.

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