Recebido com entusiasmo pela Comunidade Agostiniana, o Pontífice rezou diante das relíquias do Doutor da Graça e reforçou a importância da unidade eclesial
Thiago Coutinho
Da redação

Papa Leão XIV aperta a mão de Monsenhor Corrado Sanguineti ao chegar para sua visita pastoral em Pavia / Foto: Sipa USA via Reuters Connect
Aos gritos efusivos de “Papa Leão” e “Viva o Papa”, o Sucessor de Pedro foi recebido na manhã deste sábado, 20, pela Comunidade Agostiniana na Basílica de São Pedro em Ciel d’Oro, em Pavia.
Com muito bom humor e distribuindo sorrisos, o Santo Padre acenou ao público que veio recebê-lo na Basílica. Em seguida, dirigiu-se ao interior do templo, onde celebrou uma missa diante das relíquias de Santo Agostinho, acompanhado por fiéis, consagrados, consagradas e diáconos permanentes que ouviram atentamente as suas palavras.
Durante a acolhida, o Prior Geral da Ordem, padre Joseph L. Farrell, destacou a importância histórica do momento histórico. “Sua presença tem um significado inestimável. Temos Santo Agostinho como pai e a Igreja como mãe. Hoje, esse significado assume algo maior, pois o senhor nos permite rezar junto ao túmulo do ‘Doutor da Graça’. Em 2027, completam-se 700 anos da entrega de seus restos mortais à Ordem Agostiniana”, recordou o religioso, citando ainda o recente pronunciamento do Pontífice na Argélia sobre o renascimento espiritual. “Ao mesmo tempo em que Cristo pede para renovarmos a nossa existência, Ele também nos dá a força para fazê-lo. E isso é muito próprio de Santo Agostinho.”

Celebração do Santo Padre na Basílica de São Pedro em Ciel d’Oro / Foto: Reprodução Youtube Vatican Media
Em seu discurso, o Papa Leão XIV expressou sua alegria pela acolhida em Pavia e exortou os presentes a manterem o otimismo evangélico diante das crises contemporâneas. “Para não desanimar, é preciso olhar animado para o espírito da fé, que ajuda a encarar a realidade e não deslizar para uma atitude pessimista, incapaz de gerar vida. Em meio às dificuldades, deve-se ver a mão providente do Pai, que alimenta a esperança na semente que cresce e nos convida a olhar para os campos prontos para a colheita”, afirmou.
O Pontífice também citou o magistério de seu antecessor para reforçar a necessidade de discernimento. “Na Evangelii Gaudium, o Papa Francisco nos convida a um olhar de fé: ‘Nossa fé é desafiada a redescobrir o trigo que cresce no meio do joio’. Como podemos hoje, aqui em Pavia, ser uma Igreja viva? Permanecendo unidos a Cristo, rejeitados pelos homens, mas escolhidos por Deus. Devemos impedir que nossas ações sejam voltadas a nós mesmos e aos nossos próprios esforços, para construir uma Igreja capaz de se renovar e não se dividir. Aprender a ser comunidades cristãs centradas no essencial, que é viver com Cristo e difundir seu Evangelho, é o que deve nos motivar”, enfatizou.
Ao final, Leão XIV pediu que os religiosos, religiosas e leigos voltem ao centro da fé nos momentos de provação. “Aderir a Cristo nos permite vencer as problemáticas de hoje. Em um tempo no qual as pessoas parecem perder a vontade espiritual, somos chamados a levar o anúncio alegre e libertador do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”, concluiu.




